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Fagundes é convidado para Pantanal

14 de outubro de 2020

Apesar de estar desligado da Globo, Antonio Fagundes recebe convite para o remake da novela. / Foto: Divulgação

Após 44 anos de casa, Antonio Fagundes não tem mais contrato fixo com a Globo. Para ele, isso significa mais liberdade: “Estou livre para fazer o que eu quiser”. Mas mesmo sem elo fixo, o ator foi convidado para atuar no remake da novela Pantanal, revista pelo autor Benedito Ruy Barbosa e programada para estrear em 2021. No seu ver, a novela tem que ser rodada com urgência ante a triste devastação do bioma causada pelos incêndios que, até agora, consumiram nada menos que 26,5% da área. “Temos que mostrar o Pantanal ao Brasil de novo”, disse.

“Esse convite surgiu do Benedito Ruy Barbosa, que considero meu irmão. Não teve uma obra dele que eu não tenha participado, sempre com muito carinho. O Benedito é um autor fabuloso, além de ser uma pessoa queridíssima que conhece o “Brasil profundo” de uma forma única. Quando ele me chamou pra fazer o Pantanal, eu fiquei muito feliz. Mas isso ainda depende também de negociações com a TV Globo, ainda não acertadas”, explicou.

Aos 71 anos, Fagundes não foge de perguntas sobre política. E confessou à repórter Paula Bonelli, de “O Estado de São Paulo”, sentir raiva e pena dos atores que assumem cargos políticos, como recentemente fez Regina Duarte e Mário Frias. “Eles não têm a menor noção de como funciona aquilo ali,” aponta. Fechado em sua casa no Rio de Janeiro desde março, diz temer mais transmitir covid-19 para alguém do que padecer ele próprio do vírus.

Nesta semana das Crianças, ele relembrou um projeto especial, de sua longa carreira, O Mundo da Lua, onde interpretou Rogério Silva – pai do personagem Lucas Silva e Silva, o menino que soltava sua imaginação por meio de um gravador. “São mais de 20 anos reprisando na TV Cultura, criando uma fidelidade tal que crianças crescem assistindo e depois mostram para os filhos”, afirma. O ator não acredita ter algo como um público fiel – apesar das 300 mil pessoas que foram ao teatro para assistir Baixa Terapia, temporada interrompida pela pandemia. Reconhece, entretanto, sua necessidade de dialogar com a plateia, mantendo aceso o interesse das pessoas.

Fagundes sempre produziu suas peças para o teatro porque prefere escolher com quem atua e principalmente quem está ao seu lado na coxia: “Posso contracenar com um ator ou atriz extraordinária, que vai te dar mil prêmios, mas se o ambiente no camarim não é bom… prefiro não”. Entre os eleitos para atuar em Baixa Terapia estão: a atual mulher Alexandra Martins, a ex Mara Carvalho e o filho Bruno Fagundes. Lembra que uma das primeiras peças, Os Fuzis da Senhora Carrar, de Bertolt Brecht, foi censurada pela ditadura, fato que o empurrou a trilhar a carreira teatral aos 14 anos. A censura o fez acreditar que aquilo que estava fazendo para se divertir era coisa importante já que incomodava tanta gente.