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Elize Matsunaga faz sucesso no mundo

22 de julho de 2021

“Elize Matsunaga: Era Uma Vez um Crime” conta com uma entrevista da própria condenada. / Foto: Divulgação

Elize Matsunaga não é estranha às câmeras. Ela se tornou, afinal, uma das mulheres mais conhecidas do Brasil após ser presa, em 2012, pelo assassinato e esquartejamento do marido Marcos Matsunaga, herdeiro da Yoki. Mas só agora, nove anos depois, está sendo revelada através de um documentário em cartaz na plataforma Netflix, a primeira e única entrevista que ela aceitou dar sobre o caso.

A entrevista é peça central de “Elize Matsunaga: Era Uma Vez Um Crime”, minissérie documental em quatro episódios que chega à Netflix. O lançamento está fazendo sucesso no Brasil e é uma das maiores audiências nos Estados Unidos. Nela, Elize recorda o seu relacionamento com Marcos e a noite de seu crime, embora não consiga por em palavras o que a levou a atirar no marido.

Conseguir essa entrevista não foi uma tarefa fácil — o processo de negociação com Elize durou anos, e a família de Marcos chegou a pedir na Justiça que ela fosse impedida de falar, alegando preocupação com a exposição da filha de ambos. Em maio de 2019, no entanto, a entrevista foi autorizada judicialmente. Mas o trabalho não parou por aí, já que o documentário também se propôs a trazer as vozes de pessoas próximas a Marcos. “É um crime bárbaro, e a gente tem que tratar com a seriedade que ele merece”, diz a diretora Eliza Capai.

A cineasta falou sobre os bastidores da produção e o trabalho para manter esse equilíbrio complexo. Já conhecida por seu trabalho em documentários como Severinas, Eliza se uniu ao projeto a convite de Gustavo Mello, produtor da Boutique Filmes. Ele e a jornalista investigativa Thaís Nunes já vinham, há anos, negociando com Elize, que cumpre sua pena de 16 anos no presídio de Tremembé, no interior de São Paulo.

A entrevista e as sequências que acompanham Elize fora da prisão foram gravadas em 2019, ao longo de duas “saidinhas” — as saídas temporárias, em datas especiais, às quais têm direito os presos em regime semiaberto. Mas o trabalho começou bem antes. “Eu e a fotógrafa Janice D’Avila fomos ao presídio e conversamos com ela, escutamos ela”, recorda Eliza. “Começou uma relação de confiança. Sempre que vou gravar alguém, é algo que precisa estar posto, independente de quem seja”.

Desde o começo, a ideia era que Elize Matsunaga: Era Uma Vez Um Crime fosse um documentário plural, que trouxesse não só as vozes de Elize e de sua família, como também as vozes daqueles próximos a Marcos — representados aqui por amigos e colegas, bem como pelos advogados da família Matsunaga.

Mas isso não impediu Eliza de ser surpreendida pelo desafio de gravar com o melhor amigo de Marcos e outras pessoas próximas a ele.

Isso foi muito forte e me deu um senso de responsabilidade que eu nunca havia tido como diretora, de construir uma história tão complexa como esta e permitir que as pessoas se sentissem igualmente representadas, por mais que tenham pontos de vista opostos”.

Ao fim, a cineasta espera que o documentário possa provocar reflexões sobre a forma como mídia e sistema penal, de uma maneira ampla, tratam os crimes. “Temos que refletir se essa é a melhor forma [de lidar], se a gente visa uma sociedade mais harmônica e menos violenta”.