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Edu Moscovis em atuação impecável

5 de novembro de 2020

Eduardo Moscovis, Tainá Müller e Camila Morgado na série “Bom Dia, Verônica”. / Foto: Divulgação

Logo no primeiro episódio do suspense Bom Dia, Verônica, na Netflix, o ator Eduardo Moscovis, como o policial Cláudio Brandão, protagoniza uma das cenas mais desconfortáveis e impactantes da série. Ele pendura pela pele, em ganchos, sua vítima – uma garota que acabara de chegar a São Paulo – e a ergue até o alto.

A moça grita de dor e medo. Sua mulher, Janete, interpretada por Camila Morgado, é obrigada a ficar no local, sentada e com uma caixa de madeira na cabeça. Insinua-se então que Brandão abusa da moça. Esse momento assustador contrasta com um Brandão visto um pouco antes, carinhoso, confortando a mulher após ela ter sofrido mais um aborto espontâneo. Na realidade, a aparente figura de homem gentil e policial exemplar camufla camadas mais profundas e obscuras de Brandão. E o espectador vai sendo apresentado à sua real persona: serial killer – e que comete violência psicológica e física contra a mulher.

Tive muita resistência, dificuldade de me aproximar do Brandão. Eu já tinha aceitado o convite, tinha ficado bem feliz, mas eu não estava sabendo como lidar com ele, como chegar a ele. O que me dava uma tranquilidade é que eu teria o Zé Henrique (Fonseca) dirigindo, com quem trabalhei numa outra série, Lúcia McCartney”, diz Edu Moscovis. Também recebeu o seguinte conselho da criminóloga Ilana Casoy, coautora – juntamente com Raphael Montes – do livro que inspirou a série. “Ela disse: não julga ele, não, vai fazendo.

Ator de teatro, TV e cinema, que investiu na diversidade de papéis ao longo da carreira, Moscovis criou um Brandão longe do caricato, cheio de nuances, transitando da ternura à extrema violência. Um psicopata realista, que se descola do serial killer muitas vezes retratado no cinema. Aliás, ele conta que não buscou referências nos personagens do gênero em filmes.

Acho que o desenho plástico da cena, o que era proposto já no papel, e o que eu sabia daquilo, de como seria, já era tão impactante que eu não estava preocupado com o serial killer dentro de casa, porque automaticamente ia contaminar o público.. Quando o Brandão voltasse para casa, mesmo que eu não tivesse fazendo ‘o psicopata’, ele estaria ali. Então, me interessava muito mais esse cara que por está aí, que você não aposta nele e, quando sabe de alguma coisa (ruim a respeito dele), fala: ‘impossível, como é que pode?’. Isso é uma opção, e o Zé (Henrique Fonseca) também pensava dessa forma. Então, foi ótimo”, comenta.

Aliada à sua atuação impecável, está toda a composição do personagem: os gestos, os olhares, o tom de voz, as roupas. “Fui criando junto com todo mundo, eu tinha minhas intuições, minhas apostas, conversei muito com o Zé, com a Marina Franco, que é a figurinista. O figurino do Brandão também me ajudou demais na composição: como ele se veste, como ele se arruma, como ele se comporta, tudo isso fui recebendo de vários lados”, diz o ator, que passou também por uma mudança física.