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‘Demi Lovato, dançando com demônio’

1 de abril de 2021

“Dancing with the devil” traz relatos fortes da cantora sobre a overdose sofrida em 2018. / Foto: Divulgação

Em 24 de julho de 2018, a cantora Demi Lovato se tornou notícia no mundo inteiro após sofrer uma overdose. O fato aconteceu dias depois da artista celebrar publicamente os seis anos de sobriedade. Desde a adolescência, o vício em álcool e em drogas e os distúrbios alimentares são enfrentados pela estrela do pop.

Todas essas “sombras” que rondam a trajetória de Demi Lovato estão expostas na série documental Demi Lovato: Dancing with the devil (Demi Lovato: Dançando com o demônio, em tradução livre), já liberado no canal da artista do YouTube. Serão divulgados os dois primeiros exibidos de forma gratuita. A temporada completa é composta por quatro, que serão disponibilizados para assinantes do YouTube Premium.

Com direção de Michael D. Ratner, o material foi todo gravado no ano passado durante a pandemia depois que outro documentário, produzido em 2018 com foco na turnê Tell me you love me, foi dispensado. “É triste porque gravamos um documentário que nunca será visto”, diz a cantora no início da série documental. O conteúdo feito em 2018 não será divulgado, mas algumas cenas são aproveitadas em Dancing with the devil até para ilustrar o momento de fragilidade ao qual Demi vivia no período antes da internação.

Tudo em Dancing with the devil é honesto. Demi Lovato se despiu de qualquer medo de exposição e compartilha, em cada episódio, relatos fortes e verdadeiros sobre como lidou, ao longo dos anos de fama, com o álcool, as drogas, os distúrbios alimentares e as feridas criadas por uma relação complicada com o pai, que era alcoólatra, e por um estupro sofrido quando teria dito a primeira relação sexual.

Durante a temporada inteira, Demi e os convidados que toparam participar do documentário — a família (mãe, padrasto e irmãs), os melhores amigos, a dançarina Dani Vitale que foi acusada de dar drogas à artista, a assistente, os empresários, os médicos e até amigos cantores (aparecem Elton John e Christina Aguilera) –, reforçam que ela poderia ter morrido naquele dia. Num relato bastante doloroso, a artista admite que se a ajuda demorasse a chegar entre 5 a 10 minutos, ela não estaria viva contando essa história.

Até por isso, Demi fez questão de abrir o coração e compartilhar tudo. Choca quando a artista revela o que passou por causa da overdose: ela teve três AVCs (acidente vascular cerebral), um ataque cardíaco, asfixia, alguns órgãos do corpo falharam e perdeu a visão (ela chegou a ficar cega, hoje em dia tem problemas que a impedem de dirigir e de enxergar objetos próximos) por causa de danos cerebrais. Também é assustador quando a cantora compartilha quais drogas estava usando tempos antes do fato: crack e heroína. Na fatídica noite, ela tomou um coquetel de opioides misturados com fentanil após uma noite regada de bebidas com os amigos.

Quando o espectador acha que não tem mais como ser surpreendido com os relatos, Demi acrescenta que o traficante que levou as drogas para ela no dia da overdose abusou sexualmente dela e a deixou para morrer. Ela foi encontrada no quarto pela assistente pessoal completamente nua, desacordada e ficando azul. “Quando acordei no hospital as pessoas perguntaram se eu tinha feito sexo consensual”, afirma.