Destaques Entretenimento

Comédia policial à brasileira

Por Danilo Casaletti / Especial

20 de março de 2021

Edmilson Filho e Matheus Nachtergaele em "Cabras da Peste", na Netflix. / Foto: Divulgação

Calor do cão. Não vou dormir. Vou pro rolê, quero curtir. Solta o batidão!”. A versão em forró do clássico The Heat Is On, trilha do longa Um Tira da Pesada (1984), cantada por Gaby Amarantos, dá o tom de uma frenética perseguição policial – a pé – na pacata e fictícia cidade de Guaramobim, no interior do Ceará. Assim começa Cabras da Peste, filme que acaba de chegar na plataforma Netflix.

Segundo longa do diretor Vitor Brandt – o primeiro, Copa de Elite, foi lançado em 2014 – a comédia mostra a história dos policiais Bruceuílis Nonato (Edmilson Filho) e Trindade (Matheus Nachtergaele) que se cruzam no melhor estilo buddy cop, mas com um toque bastante brasileiro.

Bruceuílis, depois de ser designado para cuidar da cabra Celestina, um patrimônio de Guaramobim, acaba perdendo-a de vista. Apaixonada por rapadura, Celestina invade um caminhão que transporta a iguaria. Sem saber que está se metendo com uma quadrilha de traficantes, o agente decide partir para São Paulo em busca do caprino, levado por engano pelo criminoso.

Na capital paulista, ele encontra Trindade, um policial de escritório que, depois de fracassar em uma operação articulada para desmantelar a mesma organização criminosa, é transferido para um monótono batalhão de trânsito. Após um primeiro estranhamento e as iniciais trapalhadas, Bruce e Trindade decidem formar uma dupla para resgatar a Celestina e prender o chefe da quadrilha, o traficante Luva Branca, e um dos seus intermediários, Ping Lee.

Inspiração

O filme nasceu de uma vontade de fazer um tipo de filme que crescemos assistindo na Sessão da Tarde, como Máquina Mortífera e Um Tira da Pesada. De ação, mas com humor. Partindo da ideia de um policial que sai de Detroit e vai para Beverly Hills resolver um crime, trouxemos um policial do interior do Ceará para solucionar um crime em São Paulo”, conta Brandt. O diretor assina o roteiro ao lado de Denis Nielsen.

Antes do filme, o paulistano Nachtergaele e o cearense Edmilson Filho já haviam atuados juntos na série Cine Holliúdy, exibida pela TV Globo, desdobramento do filme estrelado por Filho em 2013.

Cabras da Peste é fruto do nosso encontro. O filme estreia no momento em que estamos gravando a segunda temporada da série. É uma mandala que se fecha. Não acho que ele existiria de outra forma. Fizemos uma dupla clássica de palhaços. Um instintivo e outro mental”, diz Nachtergaele. Filho, na outra ponta da ligação com a reportagem do Estadão, concorda. Foi ele e o produtor Halder Gomes, diretor de Cine Holliúdy, que sugeriram chamar Nachtergaele.

O diretor Vitor Brandt conta que Filho estava no projeto desde que o roteiro começou a ser escrito, por isso, as cenas já foram pensadas para seu estilo de atuação, que ficou conhecido como humor corporal – do qual o antigo trapalhão Renato Aragão, também cearense, sempre foi adepto.

Cabras de Peste traz cenas de lutas marciais. Sempre com um olhar cômico. Uma delas se passa em um karaokê no bairro da Liberdade, em São Paulo, e tem como trilha o hit brega Me Chama que Eu Vou, de Sidney Magal.

Elas foram filmadas com o rigor de uma luta séria, mas, nessa cena, tem esse elemento paralelo que destoa”, diz o diretor.

Tricampeão brasileiro de taekwondo, Filho participou da elaboração das coreografias das lutas. “É estilo Hollywood”, diz o ator.