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Cidade Invisível valoriza folclore

13 de fevereiro de 2021

Marco Pigossi interpreta o personagem Eric na boa série da Netflix. / Foto: Divulgação

O folclore brasileiro já foi tema no universo do entretenimento em nosso país, principalmente em obras infantis. Qualquer criança com acesso a livros e televisão teve contato com, ao menos, um dos personagens das lendas mais famosas da nossa cultura, como a Cuca e o Saci Pererê. O maior exemplo é a série de livros Sítio do Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato, a obra mais famosa com a temática, que já tem mais de 100 anos e que está presente na memória afetiva de muitos, seja pela literatura ou pela televisão.

Agora, chegou o momento do folclore brasileiro voltar às telas com duas abordagens diferentes: em uma produção moderna para o streaming e para o público adulto. Cidade Invisível é uma das principais estreias de fevereiro na Netflix. A série foi criada e dirigida pelo brasileiro radicado nos Estados Unidos, Carlos Saldanha (Rio, O Touro Ferdinando), e traz as lendas mais famosas do folclore para uma trama policial repleta de fantasia mesclada com a realidade. Distribuída em 190 países, a série também deve servir para apresentar aos assinantes da Netflix no mundo todo um pouco mais da nossa cultura.

Protagonizada por Marco Pigossi, que interpreta o personagem Eric, Cidade Invisível já começa bem pela escalação de elenco. Ao lado de Marco vemos a atriz Alessandra Negrini, já muito bem instaurada em sua carreira, interpretando a Cuca. Jimmy London, ator que também é conhecido por fazer parte do mundo da música, interpreta Tutu, o clássico bicho-papão. Vemos ainda Fábio Lago, mais famoso por Tropa de Elite, interpretando o Curupira, entre muitos outros.

Cidade Invisível traz ao Rio de Janeiro um universo em que humanos convivem, sem saber, com entidades. O primeiro contato explícito desse encontro é quando Eric encontra um boto cor-de-rosa morto na areia da praia, o que é estranho por se tratar de um animal de água doce típico da região Norte do país, sobretudo da Amazônia. Ele presencia, então, o cadáver deixar de ser um boto para se tornar um humano chamado Manaus (Victor Sparapane). Esse acontecimento é apenas o pontapé inicial para o desdobramento da história que começa com a morte da esposa de Eric, Gabriela (Julia Konrad), e termina com o envolvimento da filha do casal, a pequena Luna (Manuela Dieguez), que foi manipulada por uma entidade.

Ao desconfiar que existe algo estranho com a morte da jovem, o personagem, que é policial, se envolve em uma investigação perigosa até que, ao longo dos sete episódios, começa a entender a união entre os dois mundos. Cidade Invisível, então, transforma os personagens do folclore em pessoas comuns, disfarçadas. Conhecemos Iara, Curupira, Saci Pererê, Boto Cor-de-rosa, Tutu e Corpo-Seco, cada um respeitando suas lendas para justificar sua existência, com eles também mostrando seus poderes com a ajuda da pós-produção.

Como o folclore está relacionado às matas, a trama também aborda a questão da destruição das florestas e como isso prejudica não só a flora e a fauna, mas também toda uma comunidade. Na série, uma grande construtora pretende destruir uma dessas comunidades para seu próprio benefício financeiro, provocando a revolta dos moradores, e o caso também é relacionado ao incêndio que matou Gabriela, acreditando se tratar de algo criminoso.
Cidade Invisível está disponível para maratonar em sete episódios na Netflix.