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Chegada da Disney movimenta mercado

28 de outubro de 2020

‘Mulan’ teve lançamento atravessado pela pandemia e, no Brasil, será lançado apenas na plataforma, em dezembro. / Foto: Divulgação

Ainda faltam três semanas para o Disney+ chegar ao Brasil, mas o mercado brasileiro já aguarda com expectativa o lançamento da plataforma de streaming de uma das maiores empresas de entretenimento do mundo. Consultores e analistas do mercado afirmam que a chegada da nova plataforma será positiva para o consumidor, e apostam que o serviço vai ocupar, rapidamente, o segundo lugar de assinaturas entre os disponíveis no Brasil , ficando atrás apenas da líder no segmento, a Netflix.

Com uma estratégia um tanto agressiva de retirar o conteúdo próprio – e da Marvel, Pixar, Star Wars e National Geographic – de todas as outras plataformas de streaming, a Disney tem um ponto de partida mais favorável que as outras concorrentes justamente por já ter um catálogo robusto e amplamente conhecido. Novos lançamentos de cinema também já estão planejados para a plataforma — o inédito Mulan, por exemplo, estreia diretamente na plataforma aqui em 4 de dezembro.

O presidente da Disney para a América Latina, Diego Lerner, já afirmou que o conteúdo local será produzido, com atores e diretores brasileiros, com investimento em séries e filmes, o que não deixa de ser uma notícia animadora para o mercado audiovisual brasileiro, bastante maltratado nos dois últimos anos.

“Há muitas conversas nesse sentido porque o mercado deu uma parada com o Fundo Setorial do Audiovisual e a Ancine travou as verbas”, explica a CEO e fundadora do grupo Stenna, Carolina Vargas, há 15 anos trabalhando com produtoras e distribuidoras de conteúdo de entretenimento.

“A Disney não precisa de Fundo Setorial para levantar produções originais. Mesmo assim, vai levar uns dois anos para conteúdos locais novos chegarem à plataforma. Assim, vejo um crescimento grande no lançamento, mas não sei se sustenta a subida crescente que eles estão planejando.”

A subida crescente se refere à grande adesão que a plataforma da Disney teve nos Estados Unidos e em outros 28 países. Em menos de um ano, já são 60 milhões de assinantes, segundo a empresa – para comparação, a Netflix possui cerca de 190 milhões em 190 países.


Tecnologia

A visão de Lerner, exposta em raras entrevistas sobre o assunto até aqui, porém, concorda com a de analistas que afirmam que o brasileiro tem uma alta adesão à tecnologia, mesmo tendo saído atrás de países mais desenvolvidos, como os Estados Unidos e os países da Oceania.

“Tecnologicamente, o Brasil é um dos públicos que mais tem aderência ao consumo de conteúdo”, explica a consultora estratégica de entretenimento e conteúdo Patricia Weiss, há 20 anos envolvida no assunto. “Não importa se vai acumular uma série de assinaturas. Quem tem o mínimo de poder aquisitivo, vai assinar. O consumidor brasileiro vai pagar ainda menos do que com a TV a cabo, que ainda é muito cara. Daí o movimento nos últimos anos de transferência de conteúdo para as plataformas digitais.”

Vargas, porém, se diz preocupada com a entrega do produto ao cliente final, uma questão com que a Netflix, por exemplo, lida há quase 10 anos no Brasil.

“Para entregar o conteúdo regional, fora dos grandes centros, é necessário um fluxo de internet considerável. Alguns serviços já em atuação, por exemplo, não funcionam direito no Nordeste. A Disney vai precisar desse fluxo. Quem entrega é o provedor regional, que são concorrentes diretos das plataformas, porque vendem conteúdo de programação para a região”.