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Astros aquecem suas carreiras

2 de dezembro de 2020

Eric Clapton lança a nova edição do Eric Clapton’s Crossroads Guitar Festival, uma jam session estelar que ele dirige desde 1999. / Foto: Divulgação

Isolada em fazendas, mansões, quartos e estúdios caseiros, a geração mais clássica do rock não vai usar o isolamento para anunciar suas retiradas de cena. Pelo contrário. Gente com mais de 70 anos, como Eric Clapton, Mick Jagger, Elton John, Paul McCartney, AC/DC, Roger Waters e Bruce Springsteen, reativaram suas carreiras e, mesmo aqueles que já haviam falado em aposentadoria antes da pandemia, surpreenderam ao colocar datas em agendas bem antecipadas. Alguns colhem boas críticas do que fizeram nos últimos meses e outros têm na agulha trabalhos inéditos para o final do ano.

Clapton, 75 anos, era quem inspirava mais cuidados. Em 2017, anunciou em uma entrevista estar com um mal chamado neuropatia periférica, uma doença que afeta o sistema nervoso e a movimentação dos membros. A pandemia parecia enterrar as chances de vê-lo sobre um palco até ele anunciar três datas para se apresentar em sua segunda casa, o Royal Albert Hall, de Londres, em 14, 17 e 18 de maio.

Outro bravo inglês é Elton John, 73 anos completados ao lado do marido David Furnish no início da pandemia, em 23 de março. Sua Farewell Yellow Brick Road, a turnê da despedida, seria feita pelos Estados Unidos e Canadá entre março e maio até os deuses o impedirem de dizer adeus. Corajosamente, ele jura que os shows vão começar em New Orleans no dia 19 de janeiro de 2022. Não 2021, mas 2022.

Quando os bisnetos de Bruce Springsteen perguntarem o que ele fez em 2020, aqueles dias que os livros contarão terem sido dos piores, ele poderá dizer que fez Letter to You. Um discaço, cheio de alma e com o rock mais puro que sai metade do Boss, o chefão, como o chamam, e metade de uma das mais espetaculares bandas do mundo, sua E Street Band.

Aos 78 anos, Paul McCartney foi para a fazenda da família. Cheio de tempo ocioso, acabou ficando muitos dias na sala de música para rever canções inacabadas e desengavetar ideias que começaram a ganhar forma. Criou linhas melódicas sobrepostas a linhas que já existiam e, quando percebeu, já tinha material para um álbum inteiro. Os Stones também lançaram Living In A Ghost Town. “A vida era tão bela e agora todos estão presos”, cantam em uma parte da canção sobre a cidade fantasma, a primeira inédita desde Doom And Gloom e One More Shot, as duas de 2012.

Roger Waters, 77 anos, não tem exatamente um novo álbum na manga, mas lançou um clipe comovente de Mother em estética pandêmica, com o vídeo em preto e branco dividido em telas nas quais os músicos entram aos poucos até tudo chegar a um grau explosivo e atingir o ponto das lágrimas. Outro grupo usou os meses do isolamento social de 2020 para, enquanto só falavam em mortes, ressuscitar. Quando as notícias levavam a crer que os australianos do AC/DC estavam com seus dias contados, dizimados pela ausência de Malcolm Young, líder e compositor de quase tudo do grupo, morto em 2017 depois de agonizar em uma demência por três anos, eles vieram com uma pancada de álbum chamada Power Up.