Destaques Educação

Trabalhadores da Uemg reivindicam participação em processo eleitoral

8 de julho de 2021

Foto: Divulgação

PASSOS – Após a divulgação da resolução do Conselho Universitário (Conun) da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) para eleições na unidade Passos, a serem realizadas com inscrições a partir de 12 de julho e votação em 2 de agosto, cerca de 300 trabalhadores da instituição encaminharam uma carta aberta à reitoria pedindo para serem ouvidos, uma vez que, pela resolução, só podem se candidatar e votar servidores efetivos. A Uemg Passos conta atualmente com 47 profissionais que atendem à orientação.

De acordo com os profissionais que assinam o documento, dentre eles professores, administrativos e alunos solidários à reivindicação, atualmente, dos 289 docentes que atuam na unidade Passos, 213 ingressaram por Processo Seletivo Simplificado (PSS). A unidade Conta ainda com 29 convocados em razão de aprovação em concurso público e 47 efetivos, sendo que somente estes poderão concorrer e integrar o colégio eleitoral.

Gostaríamos de ser ouvidos. O motivo desta carta é expressar sentimentos bastante ruins, desalentadores e desmotivadores que acometeram grande parte do coletivo de trabalhadores da Unidade Passos. Os sentimentos se dão pelo alijamento nos processos e decisões, por meio da livre concorrência e sufrágio, em projetos políticos-pedagógicos da Unidade, representados nos candidatos que vão se lançar às posições históricas e institucionais de Diretores e/ou Diretoras”, apontam na carta.

Ainda conforme o documento, desde o processo de estadualização, os servidores têm fundamental e efetiva participação nos anseios e trabalhos da Unidade, através de diversas formas coletivas, sejam administrativas, colegiadas, grupos de estudos, grupos de trabalhos; aulas e projetos educacionais desenvolvidos, atendimentos internos e externos; pesquisas, extensões, atendimentos à comunidade de Passos e região, entre outras tantas formas, funções, tarefas e participações em processos decisórios e executivos que nos são atribuídos.

Entretanto, a partir da decisão Conun do dia 2, nos sentimentos afastados, sub-representados e excluídos. Temos compreensão clara do contexto histórico em relação aos processos de contratos e ocupação de funções públicas de trabalho que vivenciamos em Passos. Somos a maior unidade acadêmica da Uemg, que é, pois, construída cotidiana e dominantemente por docentes convocados. Somos, no total, 242 deles. Além disso, todo o corpo administrativo, formado por analistas e técnicos, que são em torno de 110 trabalhadores e trabalhadoras, são contratados por processos seletivos e não de modo efetivo. Sempre fomos ouvidos. Estivemos mobilizados em 2015, 2016, 2017, 2018 e 2019, com atos públicos, reunindo docentes, estudantes e técnicos e analistas do administrativo, mobilizações essas que, apesar das contradições e posições distintas em relação às conjunturas, o que é normal em uma luta de classe, nunca representou problema significativo, já que foi possível colocarmos, democrática e livremente, nossas vozes para a Universidade e para a sociedade. Mas isso parece ter mudado. Chegamos ao fim neste processo?”, questionam.

Ainda de acordo com os assinantes, o ideal seria que todos estivessem concursados. Porém, ainda não chegou a vez de todos. O processo eleitoral posto, que ignora esta conjuntura histórica e presente em Passos, não parece razoável, democrático e de livre pensar, existir e expressar.

A decisão do Conselho Universitário, instância máxima decisória da Uemg, que é um órgão democrático e que faz suas ponderações de forma livre, voto a voto, ou, ainda, mesmo nota explicativa da Uemg, na data do último dia 2, pelo site da instituição, parecem ignorar totalmente a nossa existência. É como se, ainda que em grande número e pluralidade, tivéssemos desaparecido da Unidade”, afirmam.