Destaques Educação

Ifsuldeminas tem melhor pontuação entre as públicas no Enem

Por Laura Abreu / Especial

25 de julho de 2020

Foto: Divulgação (Agência Brasil)

PASSOS – O Instituto Federal do Sul de Minas (IF Sul de Minas), campus Passos, obteve a maior pontuação média dentre as escolas públicas da região no Exame Nacional do Ensino Médio 2019 (Enem). A instituição marcou 627.92 pontos. A maior dificuldade dos alunos da região no exame foi com a prova de ciências da natureza, visto que essa foi a que obteve menor pontuação média nas escolas.

O que você também vai ler neste artigo:

  • Desigualdade entre as redes pública e privada

Já a redação foi responsável pelo melhor resultado. Os números constam no portal da Evolucional, que consolidou as notas com base na divulgação recente dos microdados do exame pelo Instituto Nacional Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
A startup considerou, para a consolidação dos dados, as escolas com ao menos dez alunos do ensino médio que participaram do Enem 2019 e concluíram todas as provas do exame, com nota maior do que zero nelas.

Quando observadas as provas do IF Sul de Minas separadamente, a média é de 816.41 na redação; 636.43 na prova de matemática; 573.87 na prova de linguagens; 567.7 na prova de ciências humanas; e 545.4 na prova de ciências da natureza. A instituição teve 78 alunos que fizeram a prova em 2019 e está em 1.366º lugar no ranking das escolas do Brasil.

Ficamos muito orgulhosos com o desempenho dos alunos no Enem. O campus conta atualmente com três cursos técnicos integrados ao ensino médio. É uma modalidade de ensino em que a educação profissional técnica é desenvolvida de forma articulada ao ensino médio. O resultado obtido é fruto do empenho e dedicação dos nossos alunos e do corpo docente extremamente qualificado da instituição, formado em sua maioria por mestres e doutores”, comentou a diretora de desenvolvimento educacional do campus de Passos, Bruna Bárbara Santos Bordini.

A segunda melhor colocada no ranking da região é a Escola Estadual Benedito Ferreira Calafiori, de São Sebastião do Paraíso, com 204 alunos participantes e pontuação média de 565.06. Na sequência, vem a Escola Estadual Modesto Antonio de Oliveira, de Capitólio, com 37 alunos e 544.65 de média.

Assim como ocorre nacionalmente, na região, as escolas particulares ainda são as melhores colocadas no exame. O Colégio Objetivo NHN de Paraíso, com 24 alunos participantes, obteve 690.9 pontos e tem a melhor média entre instituições privadas e públicas. Na prova de redação, o colégio também foi o melhor e obteve 928.33 pontos na média. Além disso, a pontuação da escola em matemática foi 721.56; em ciências humanas, 615.5; em linguagens, 596.32; e em ciências da natureza, 592.76. No ranking nacional, a instituição ocupa a 111ª posição.

É a segunda vez que a gente tem um resultado absurdamente importante como foi desse ano. Esse ano foi ainda maior, é algo inédito. Foi realmente um resultado superlativo e importantíssimo. Isso premia o nosso trabalho, da nossa equipe, nosso esforço que é absurdamente importante. A escola é também a 5ª no Brasil no quesito redação. A rede objetivo tem 1.000 conveniadas no país e a de SSP é a 4º colocada. Somos uma escola que tem um olhar 100% no futuro”, declarou Ricardo Helou Doca, diretor do Colégio Objetivo NHN.

Desigualdade entre as redes pública e privada

PASSOS – Para a professora e coordenadora da subsede de São Sebastião do Paraíso do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sindute/MG), Lilian Aparecida de Oliveira Gonçalves, alguns fatores podem explicar a diferença das notas das escolas públicas e das escolas particulares, como a falta de investimento do governo na educação pública e a situação socioeconômica dos alunos.

A desigualdade entre as duas redes de ensino ficou ainda mais evidente e acentuada com a pandemia do novo coronavírus, conforme a coordenadora. Com a adoção do ensino remoto, muitos alunos das escolas estaduais podem ser prejudicados no próximo Enem, que será em janeiro, visto que não são todos que possuem condições para acompanhar o estudo on-line e, com isso, a discrepância entre as notas pode aumentar.

Infelizmente, a educação pública não é valorizada no país, desde alunos até professores. A gente vive numa região até que privilegiada, boa parte dos alunos tem acesso à internet. Na escola em que trabalho, os alunos estão produzindo redações, mas não é a mesma coisa do que se estivessem na sala de aula. Mesmo que aqui seja uma região mais privilegiada, de um modo geral, o que a gente tem conhecimento é de casos de famílias que têm um celular, têm mais de um filho e precisam dividir o tempo para cada um estudar em um período do dia. Estamos vendo diversas realidades. Teve aluno que já me mandou mensagem que, mesmo no 3º ano, vai desistir e não vai fazer o Enem”, pontuou a coordenadora.