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Grupo de pais defende retorno das aulas presenciais

Por Ralph Diniz / Especial

16 de dezembro de 2020

Grupo de pais vestiram amarelo e foram à Câmara para pedir apoio dos vereadores à causa. / Foto: Divulgação

S.S. PARAÍSO – Um grupo de pais de São Sebastião do Paraíso criou uma campanha para defender o retorno das aulas presenciais às crianças e adolescentes, em 2021, nas escolas públicas e particulares do município. O assunto ganhou força nas últimas semanas e a Câmara Municipal realizará uma audiência pública na noite desta quarta-feira, 16, para debater a questão.

Denominado “Famílias pela Educação em São Sebastião do Paraíso”, o grupo defende que as aulas presenciais retornem de forma gradativa, rotativa e opcional, respeitando os devidos protocolos de segurança para evitar o contágio do novo coronavírus. A adesão, conforme explicou Fábio Martins, um dos idealizadores da mobilização, é “para quem quiser, quem puder e quem necessitar”.

Ainda de acordo com Martins, o grupo de pais não possui viés político e não tem nenhum vínculo com entidades empresariais, sindicatos ou com a Administração Pública.

“Almejamos tão somente, o acesso à educação, direito este prejudicado em face do atual momento pandêmico. Nosso objetivo é mobilizar a população paraisense sobre a importância psíquica e física do ensino presencial, bem como fomentar ações efetivas com os setores públicos e privados do nosso município, dentro dos protocolos técnicos científicos, a fim de garantir a segurança direta e indireta de todos os partícipes do processo educacional de nossas crianças”, explicou.

Mãe de uma menina de seis anos e que cursa o primeiro ano do ensino fundamental, Fabiana Lázaro contou à reportagem que ela e a família têm sofrido com as consequências da pandemia da covid-19 e a paralisação das aulas presenciais.

Minha mãe de 76 anos ficava com ela antes da pandemia na parte da manhã enquanto eu trabalhava e a tarde ia pro colégio. Depois da pandemia e com o início das aulas online, precisei pagar professora particular para acompanhá-la, uma vez que eu ainda estava trabalhando. E logo depois entrei em depressão e não conseguia ajudá-la. Minha filha é uma menina alegre e feliz, mas não aguenta mais as aulas online, ela chora pra não fazer a aula. Eu preciso ficar o tempo todo com ela pra ela não perder o foco, e como fico vendo as aulas percebo como a professora está estressada, parece que não aguenta mais também”.


Médica relata alta procura da ajuda

S. S. PARAÍSO – De acordo com a pediatra Carolina Fuoco, diversos pais têm procurado o seu consultório para relatar problemas que seus filhos estão apresentando durante o período de quarentena.

O isolamento social e a falta da escola geraram consequências desastrosas na saúde física, mental e social das nossas crianças. Elas estão adoecendo, tendo seu desenvolvimento prejudicado e vivendo situações de risco. Se isso se repetir em 2021, as consequências serão catastróficas para crianças, famílias e sociedade. Aguardar a vacina não é uma opção”, disse a médica.

A médica não ignora o fato de parte das crianças contraírem o novo coronavírus ao voltarem à escola, afinal de contas, conforme explicou, boa parte das doenças que normalmente atingem esse grupo são contraídas no ambiente escolar. Contudo, Carolina Fuoco defendeu que, diferente da H1N1, a covid-19 não tem essa faixa etária como grupo de risco e que o novo vírus quase não se desenvolve nas crianças. Além disso, elas não são transmissoras em potencial da enfermidade.

Hoje sabe-se que as crianças representam menos de 10% dos casos, com pouquíssimas internações e mortalidade de 0 a 0,3%. Por isso, as crianças serão as últimas a receber imunização contra a covid-19”.

Para a profissional da saúde, que tem dois filhos em idade escolar, as doenças mentais causadas nas crianças durante o período de isolamento social são muito mais graves e nocivas do que a covid-19.

Não sabemos o que esse estresse tóxico vai causar nelas, o que vai mudar em suas vidas. Se formos pensar, a infância é curta. Imagine só perder dois anos da vida, sem contato com outras crianças, sem contato com os pares, sem poder estar no ambiente onde elas desenvolvem as habilidades sociais e aprendem a viver em grupo, a lidar com as frustrações. Além disso, quando a gente pensa em ensino à distância, ele não é igual pra todas as crianças, né? É lógico que criança que que tem uma família estruturada, que tem dinheiro pra ter computador, acesso à internet. A vida dela é uma. Agora, tem criança que não tem nem com quem ficar”, defendeu a pediatra.

Por fim, Carolina Fuoco declarou que as escolas devem estar preparadas receber os alunos, os professores e os demais profissionais da educação a partir do próximo ano, uma vez que o vírus continuará presente na sociedade.

Com esse retorno, as escolas não vão ser mais as mesmas. Não vai ser até essa pandemia se resolver. As crianças vão ter que ir em esquema de revezamento, com poucos alunos.É um esquema que eles chamamde‘esquema de bolha’. Deve haver um revezamento, um dia ela vai à escola, no outro faz aula online. Com essas medidas de proteção, uso de máscara, distanciamento, não compartilhar nada, lavagem correta das mãos quando chega e quando sai. Trabalhos mostram que os surtos raramente se iniciam nas escolas, que escolas com protocolos são seguras tanto para crianças quanto para educadores, e que é incomum a criança transmitir o vírus para outra criança ou adulto. Em síntese: escolas fechadas não diminuem o número de casos e escolas abertas não aumentam este número. Escola boa protege alunos e professores”, concluiu a médica.