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Estado demite professores de cursos técnicos em Furnas

15 de julho de 2020

Professores da Escola Estadual de Furnas foram demitidos pela Secretaria de Estado de Educação. / Foto: Divulgação

PASSOS – Parte dos professores que integram o corpo docente dos cursos profissionalizantes de Eletrotécnica e Mecânica na Escola Estadual de Furnas foram demitidos pela Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE-MG). De acordo com os professores, o órgão havia encaminhado um memorando para orientar sobre a finalização das classes iniciadas no mês de setembro de 2018, no entanto, além do que havia sido proposto no arquivo oficial, outras turmas também foram classificadas como concluídas.

Eles alegam que, ao contrário do anunciado, as turmas não foram finalizadas e os alunos seguem realizando atividades, mas sem suas orientações. Ao todo, 19 profissionais tiveram os contratos encerrados e quase 300 alunos estão com a matrícula ativa na plataforma de ensino. Giovanni Valvassoura, professor nas disciplinas de Automação Industrial, Controle de Processo e Sensores Industriais e Comandos Elétricos, diz que as determinações do memorando não foram cumpridas, tanto no que se refere aos docentes quanto aos discentes, que podem ser prejudicados pelo sistema de aprendizagem do módulo ativo.

Vejo que foi muito injusto com a sociedade como um todo, porque isso pode refletir em diversas esferas. Mas acredito que a solução deste grande problema seja a recontratação dos professores para a condução das atividades remotas propostas aos alunos, até que aconteça o retorno das aulas presenciais. Além disso, é fundamental que exista uma forma de garantir a verificação do nível de ensino diante do que foi ministrado”, explicou Valvassoura.

Já Bernardo Lacerda Martins, que ensinava Eletrônica Digital, destaca que a justificativa para as demissões foi o encerramento das turmas, embora elas continuem com as ações propostas pelos planos de aula elaborados pelos próprios professores.

Planejamos todas as atividades para este momento de distanciamento social, no entanto, todos nós recebemos a ordem de demissão, enquanto os alunos ainda fazem os exercícios que deviam passar pela nossa correção; apesar disso, há orientação para que os arquivos sejam encaminhados à direção da escola”, revelou.

Martins salienta que, com a aplicação desse modelo de ensino, os alunos deixam de passar por avaliações que validam a capacidade profissional de cada um, para que, deste modo, consigam atuar no mercado de trabalho.

Sem testar as habilidades e competências que os alunos adquiriram, é possível dizer que a formação será indiscriminatória. O que dá a entender é que todos os alunos receberão a qualificação, e isso chega a ser um risco social, porque vidas podem ser colocadas risco, já que a área de atuação é relacionada com altas quantidades de eletricidade e maquinário de grande porte”, completou o professor.

Com a intenção de enfatizar as cláusulas que não foram cumpridas no documento, o corpo docente criou uma cópia comentada do memorando, esclarecendo todas as propostas que não estão em conformidade. Agora, os profissionais solicitam que o governo estadual faça uma nova avaliação do caso, para que a situação não permaneça assim.

A equipe da Folha da Manhã entrou em contato com SEE-MG, que se comprometeu a enviar nota explicativa sobre o assunto até as 16h desta terça-feira, 14, no entanto, não houve retorno até o fechamento desta edição.