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Dois terços dos pais são contra retomada de aulas presenciais

Por Beatriz Silva / Redação

23 de outubro de 2020

Foto: Divulgação

PASSOS – Dois terços dos pais de alunos de escolas da rede pública de Passos não querem o retorno das aulas presenciais em meio à pandemia do novo coronavírus. Uma pesquisa realizada pela Secretaria Municipal de Educação indica que 89,46% dos 3.858 entrevistados não se sentiriam seguros enviando os filhos para as instituições de ensino.

Ainda em relação à pesquisa, que foi feita por meio da internet, 90,1% dos pais ou responsáveis disseram que os alunos não iriam se adequar às mudanças necessárias para as aulas presenciais, e 84,2% consideraram que os estudantes não manteriam o uso de máscaras durante todo o tempo de aula, bem como não respeitariam o distanciamento necessário entre os colegas e professores.

Ao todo, 98,8% dos participantes têm filhos matriculados na rede pública de educação. Deste percentual, 94,9% estão na rede municipal. Além de escutar os pais e demais responsáveis pelos alunos de Passos, a Secretaria de Educação também realizou um estudo com os professores. Neste caso, 91,3% dos entrevistados disseram não se sentir seguros caso ocorra o retorno das aulas presenciais em meio à pandemia.

Além disso, 94,8% informaram não acreditar que os alunos se adequariam às novas mudanças, e 95,9% não consideram que os alunos manteriam o uso da máscara ou observariam as regras de distanciamento.
Para a secretária de Educação, Zinete Guimarães Rattis, esses resultados já eram esperados.

Sem a vacina, todos ficam receosos, as crianças podem ser assintomáticas, mas os adultos não, e, mesmo que trabalhássemos para manter todas as regras exigidas, é uma responsabilidade muito grande manter estes estudantes em sala de aula, pois o contágio é muito fácil e rápido. Ainda não podemos esquecer que, em países onde tentaram retomar o ano letivo de forma presencial, houve aumento de contaminados e foi necessário voltar ao ensino a distância”, disse.

As aulas remotas, que tiveram início em 27 de abril, devem continuar até o fim do ano letivo, em dezembro.

“Antecipamos os recessos e, desde que as aulas foram retomadas, fazemos o possível para que os alunos tenham um bom ensino. Em relação à aprendizagem, estudamos meios para recuperar, em 2021, o que pode ter sido prejudicado neste ano, mas ao considerar os maiores prejuízos, acreditamos na falta de interação e convívio entre os estudantes, o que é muito importante, em todas as faixas etárias”, afirmou.

Em relação à falta de socialização, a secretária lembra que as escolas municipais têm se empenhado para minimizar os prejuízos.

“Estamos com algumas estratégias, temos alguns encontros em sistema drive thru, em que os alunos podem ter um pouco de contato com os professores. No último dia 12, entregamos lembrancinhas nas casas dos discentes, tudo para diminuir um pouco a sensação de isolamento”, finalizou.


Responsáveis

Em entrevista à Folha, duas responsáveis por estudantes da rede municipal de ensino reforçaram o interesse pela manutenção das aulas remotas. Rosiane Aparecida Tinti de Castro, mãe de um estudante de 6 anos, afirma que as aulas virtuais dão mais segurança.

“Sem a vacina, eu prefiro que as aulas continuem sendo online, é uma forma de nos sentirmos mais seguros em relação a esta nova doença. Meu filho tem necessidades especiais, precisamos de uma assistência extra, como uma professora de apoio, e, neste sentido, estamos sendo muito bem assistidos pela rede municipal de ensino”, considerou.

Ludymila Lara Ávila, mãe de um aluno de 5 anos, ressalta que, no cenário atual, as aulas a distância continuam sendo a melhor opção.

“A preferência se dá em razão de vários fatores. Um deles é que o ano já está acabando, então, seria um risco desnecessário para todos os envolvidos. Estou muito satisfeita com o ensino remoto, as professoras são muito dedicadas e estão, cada vez mais, se reinventando”, disse.