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Alunos apontam problemas em aulas online

23 de Maio de 2020

Foto: Divulgação (Agência Brasil)

PASSOS- A pandemia do novo coronavírus (covid-19) tem alterado o cotidiano em praticamente todos os segmentos da sociedade. Na educação, as aulas online, pela TV ou por meio de apostilas foram adotadas pelas redes municipais, do Estado e particular. Em muitos casos, estudantes e pais têm encontrado dificuldades para acompanhar as atividades pelo novo sistema e, segundo alunos ouvidos pela Folha, a preferência é pelas aulas presenciais.

Apesar do elogio às aulas online e aos professores e escolas que estão produzindo os conteúdos, a falta de concentração, distração, problemas com a internet e dificuldade no entendimento são alguns do percalços apontados pelos estudantes na hora de estudar. As escolas particulares, da rede estadual e da municipal têm disponibilizado os materiais através de sites, apostilas, aplicativos, grupos no WhatsApp, páginas no Facebook e até em programa de televisão (como é o caso da rede estadual).

João Vitor Lopes Silva, aluno do 8º ano de uma escola particular, disse considerar as aulas boas, mas que, como mora em uma casa com muitas pessoas, tem dificuldade em conseguir silêncio na hora de estudar e que fica mais difícil se concentrar. Outro problema apontado por ele é a qualidade da internet, que “nem sempre colabora para fazer pesquisas relacionadas às atividades propostas nas aulas”. Concentração também é um empecilho apontado por Julia Heck Marin, estudante do 8º ano da rede estadual, que, apesar de gostar das aulas, confessa que acaba se distraindo.

Já o Pedro Danilo Rodrigues Alves da Silva, que está no 3º ano do ensino médio em uma escola estadual, disse que acha as aulas online “uma perda de tempo, porque todo mundo sabe que não adianta e já perdemos metade do ano”. Não entender a matéria é o principal ponto negativo apontado pelo estudante.

Conheço bastante gente de escola particular que, mesmo tendo a atenção necessária, estão com dificuldades de entender a matéria. E nessas primeiras aulas online tá todo mundo reclamando que não estão entendendo. Ter um professor(a) presente para tirar suas dúvidas e para ajudar, para mim é essencial”, disse.

Com as aulas em casa, os pais acabam se envolvendo na rotina do estudante também. Para Simara Lopes de Souza, tenente do quadro de reserva da Polícia Militar e mãe de três filhos, foi necessário mudar toda sua rotina para acompanhar e ajudar os filhos. Para ela, esta modalidade de aula não é boa para a faixa etária do ensino fundamental.

Tem sido muito difícil, extremamente exaustivo para elas e para mim. As maiores dificuldades são o fato de que eu, mãe, não sou preparada para executar a função de educador, não tenho formação pedagógica para lidar com tal situação. Com isso, fico muito insegura com o que estou passando para elas, sei que poderão apresentar dificuldades no futuro. Sou totalmente contra esse sistema, não só pelos meus filhos, mas principalmente por aqueles que não possuem as mesmas oportunidades”, disse.

Atividades impressas

A Secretaria Municipal de Educação lançou um site para que os alunos da rede municipal possam dar continuidade nos estudos. Os professores gravam vídeos que são postados no site, no Facebook e nos grupos de WhatsApp. Para aqueles que não possuem acesso à internet, a secretaria está disponibilizando o material impresso. Segundo a secretária de educação Zinete Guimarães, o transporte escolar está entregando esse material na zona rural e, na zona urbana, os pais buscam na escola. São 8.500 alunos matriculados na rede municipal e 800 deles estão recebendo as atividades impressas.

Para Claudia Regina Amparado Silveira Oliveira, mãe do estudante João Carlos de Oliveira que está no 6º ano e está recebendo as atividades impressas, o conteúdo está bem elaborado, mas a explicação e a interação com os professores fazem falta.

A dificuldade que meu filho está tendo é que gosta de explicação dos professores, gosta de interagir. Em conteúdo, fica difícil porque não tem a explicação, não tem a interação. Mas fora isso, não tenho o que reclamar, os professores são bons e estão sendo cautelosos. Ele só pede que se for passar para o 7º ano sem saber, prefere repetir o ano porque tem medo de ter dificuldade depois. Acaba que fica a desejar porque não aprende o conteúdo do ano, já passou metade do semestre”, pontuou.