Economia

Representantes da indústria e comércio avaliam suspensão

26 de março de 2020

PASSOS — O presidente da Associação Comercial e Industrial de Passos (Acip), Renato Mohallem, e o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio de Passos e Região (Sindicom), Davi de Oliveira se manifestaram a respeito das medidas adotadas pelo município em relação a suspensão das atividades do comércio. Apesar de opiniões distintas, em suas declarações, ambos chegaram a pontos de vista semelhantes no que diz respeito a refração da economia e alta nos índices de desemprego.
Renato Mohallem mostrou-se totalmente em desfavor da não atividade dos serviços considerados não essências pela prefeitura. Conforme o presidente, a interrupção deveria ser facultativa para cada empresa.
“Nós temos o direito de abrir nossos estabelecimentos. Isso fere completamente o Estado de Direito que existe na democracia em que vivemos. Além disso, a maioria das grandes instituições não respeitam as diretrizes municipais e abrem quando querem, muitas lojas sequer têm alvará, e não há qualquer fiscalização por parte do município ou do Estado”, disse.
Mesmo sendo contrário a medida restritiva, Mohallem ressaltou que o decreto permanecerá sendo cumprido. “É claro que seguiremos o que determina o documento, mas como ficam os nossos compromissos com os fornecedores? Como uma empresa sobreviverá uma semana sem funcionamento? Como conseguirá se manter tendo que pagar impostos e os salários de seus colaboradores? No quinto dia último do próximo mês, os trabalhadores aceitarão receber 20 ou 30% da remuneração? Como que ficam essas questões? A ideia é muito boa, porém, totalmente diferente da realidade”, pontuou.
Por último, Mohallem declarou que os mais afetados serão os pequenos empresários e seus poucos funcionários. “O movimento nas lojas já estava fraco antes da medida, portanto, não deveria existir um decreto para fecha-las. A propagação em um comércio que recebe cinco ou seis pessoas por dia será igual a qualquer outro lugar. No final, quem pagará a conta será os microempreendedores, que por sua vez, terão que reduzir ainda mais o número de colaboradores”, finalizou.

Trabalhadores

Na contrapartida, Davi de Oliveira elogiou a ação que visa diminuir a circulação de pessoas em território passense. “Quanto ao decreto, acho que foi de muita responsabilidade do executivo e do judiciário, porque eles têm um município em suas mãos, e, quanto a isso, todos os envolvidos nas reuniões decidiram em preservar a saúde e a vida dos cidadãos”, considerou.
Oliveira ainda destacou, como ponto positivo, a possibilidade de grande parte dos trabalhadores conseguirem o direito de permanecer em seus domicílios. “Em um momento como tal, é de muita sorte a forma como os trabalhadores podem ficar em casa, se protegendo de qualquer risco. Quanto a possíveis pontos negativos, estes são mínimos, pois vale muito mais a sua vida e de seus familiares, ou seja: a saúde de todos”.
Assim como o representante da Acip, o presidente do Sindicom também acredita no aumento do número de demissões pós período de recessão, no entanto, para Oliveira, a retração estaria relacionada aos próprios líderes das instituições. “Sim, vai haver demissões. Mas não por causa de problemas provenientes do decreto, mais sim, pela falta de estrutura e responsabilidade de algumas empresas”.
Para finalizar, Davi de Oliveira ressaltou que as consequências econômicas a serem sofridas ocorrerá em todo o país, por esta razão, não deve ser lembrada apenas em âmbito municipal. “O impacto não vai ser só no nosso município, ele vai ser nacional, porém, com projetos e parcerias com todos os seguimentos, com certeza, logo tudo se acertará. Por hora, vale salientar que, para que o empregador se mantenha no mercado, sem prejuízos maiores para ele e para os seus colaboradores, é preciso ter coragem, consciência e parceria. Desta forma ele continuará com sua empresa, dependo única e exclusivamente dele, que está na rédea no negócio”, encerrou.