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Presidente da Acip questiona ‘Juro Zero’ e aponta burocracia: prefeitura busca instituição

Por Adriana Dias / Redação

5 de novembro de 2021

Foto: Reprodução.

PASSOS – O presidente da Associação Comercial e Industrial de Passos (Acip), Renato Mohallen, questiona a administração municipal pelo não funcionamento do Programa Juros Zero. Pelo menos 100 empresários dos mais de 800 cadastrados estão ansiosos pelo empréstimo que deveria movimentar a economia na cidade, porém, até o momento, a prefeitura não teria conseguido fechar a parceria com uma instituição financeira, o que inviabiliza o programa. A prefeitura informa que continua na busca por instituição para viabilizar os financiamentos.

De acordo com Mohallen, várias cidades do Sul de Minas já conseguiram fazer o primeiro empréstimo.

“São os casos de Poços de Caldas, Guaxupé e Divinópolis, onde o programa funciona e os empresários já estão com os recursos em caixa. Sabemos, por meio da gerência de uma instituição financeira em Passos, que eles tinham interesse, mas, que a burocracia criada pela prefeitura, sem necessidade, inviabilizou o programa. Isso é muito ruim para o comércio. A prefeitura deveria apenas fazer o que deve, que é pagar o juro combinado ao banco e pronto. A parte de cadastro, gerenciamento e todo o serviço bancário deixar por conta da instituição”, afirma.

Aos bancos, segundo informou Mohallen, é interessante ter uma carteira da noite para o dia com cerca de 100 clientes.

“Muito embora não tenha o juro, estes clientes podem ser rentáveis para o banco de outras maneiras, com outros serviços. O prazo já está ultrapassado do que foi divulgado pela administração”, disse.

O vereador Maurício da Silva, o Maurício da Cemig, líder do prefeito na Câmara, disse em plenário e reiterou à reportagem que a administração procurou a mesma instituição financeira que faz o empréstimo em Poços de Caldas.

“No primeiro momento, informaram que tinham interesse, mandamos toda a documentação conforme chamamento para o credenciamento e eles desistiram. Entregaram parte da documentação. Apareceu outra e fomos atrás, mas, que também não providenciaram. Fizemos contato com outras instituições como cooperativas de créditos hoje. O interesse é que pelo menos uma comece a fazer a liberação dos recursos. Não desistimos. Houve dificuldades, pois os bancos do governo federal não aceitam este tipo de empréstimo, uma vez que quem paga parte é uma pessoa e o juro outra, no caso, a prefeitura. São fiadores separados e a modalidade não foi aceita. Por isso estamos ainda aguardando até no máximo segunda-feira conseguir uma instituição. Esperamos que o recurso saia até o final do ano”, disse Maurício da Cemig.

Conforme o secretário municipal de Indústria, Comércio e Turismo (Sictur), Sandro Marques, as afirmações do presidente da Acip não condizem com a realidade.

“Até agora, nenhuma instituição se interessou e o problema não é da administração, do secretário ou do prefeito. Não há burocracia. O que temos que obedecer e está no edital é a lei 8.666/93, que é a lei das licitações. Não é possível fazer sem levar em consideração. Nenhum outro município que fez burlou esta lei. É impossível. Estamos sim, ainda, na busca por uma instituição bancária que queira fazer a parceria, mas até o momento não houve”, disse o secretário.