Destaques Literatura

Xuxa põe memórias no papel

25 de setembro de 2020

Xuxa lança ‘Memórias’, que sai com 100 mil exemplares, e relata de abusos sexuais na infância a sucesso na TV. / Foto: Divulgação

Por pouco, Xuxa não ganharia como nome de batismo Morgana Sayonara – caçula de uma família gaúcha com cinco filhos, ela ostentaria uma homenagem à fada Morgana não fosse uma promessa feita pelo pai que, ao perceber que a menina não sobreviveria ao parto, garantiu que ela se chamaria Maria da Graça caso escapasse. “Por um milagre, sobrevivi”, conta Xuxa em Memórias, livro em que narra sua história de vida e de carreira, que está sendo lançado nesta semana de forma espetacular: são 100 mil exemplares só na primeira edição.

Na verdade, tudo que rodeia Xuxa parece ser superlativo. Nos anos 1980, por exemplo, conseguiu vender 3,6 milhões de cópias com o disco Xou da Xuxa 4. Suas marias-chiquinhas e sua eterna disposição encantavam as crianças do Brasil e de outros países. Assim, aos 57 anos, ela detém o domínio para, com um estilo simples e comunicativo na escrita, estabelecer um contato com o leitor e traçar um panorama de sua trajetória, em que as vidas pessoal e profissional sempre se cruzaram.

“Não tenho terapeuta, então quem sabe essas próximas linhas não sirvam também como uma terapia?”, diz ela, logo no início do livro, preparando o leitor para temas delicados (como os abusos sexuais que sofreu quando criança) e também amorosos (os namoros com Pelé e Ayrton Senna), sem se esquecer do imenso sucesso na TV e no cinema entre as crianças, que lhe valeu o título de Rainha dos Baixinhos.

Xuxa não se furta de lembrar momentos incômodos, como o de ser abusada sexualmente quando criança. “Tocavam em mim, colocavam o dedo em mim, doía, não sabia distinguir o que sentia, por isso não chorava nem reclamava com ninguém sobre o acontecido”, conta ela, resumindo os casos e confessando seu medo.

Bela e esguia, Xuxa logo se tornou modelo e, se sofria bullying, também conheceu personalidades como Pelé (o namoro não vingou porque o ex-jogador era muito mulherengo) e Senna, a quem dedica muito carinho nas páginas de Memórias. E, mesmo com a carreira encaminhada, aceitou o convite do diretor Mauricio Sherman para, em 1983, comandar o Clube da Criança, programa da extinta TV Manchete. Seu sucesso (apesar do entrevero com os pequenos, motivado pela inexperiência) chamou atenção da Globo, para onde se transferiu em 1986 pelo triplo do salário e conquistou o sucesso pleno: durante mais de seis anos, o Xou da Xuxa liderou a audiência das manhãs.

Curiosamente, uma das profissionais que mais colaboraram com esse êxito, a empresária Marlene Mattos, quase não é citada nas memórias. “Uai… O livro é meu. Por isso”, respondeu Xuxa. Em uma entrevista à revista Caras argentina, em 2018, a apresentadora se queixou de que não tinha ciência de quanto exatamente ganhava com todos seus investimentos, além de afirmar que Marlene controlava sua vida amorosa.