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Vocação

9 de junho de 2020

Chega um dia em que todos os jovens têm que exercer uma atividade profissional, definir o que querem ser na vida para se realizarem como pessoas e, ao mesmo tempo, auferir uma renda que lhes permita viver com conforto e dignidade.

Todos nós somos ‘chamados’ a desempenhar um papel nesta vida. Temos uma ‘vocação’, que vai depender da herança genética que recebemos de nossos pais e avós, e também, do meio em que fomos educados. Existe uma tradição, uma ‘cultura popular’, de se julgar que algumas profissões são melhores do que outras, na maioria das vezes, baseada na ideia de que é mais feliz quem ganha mais, quem possui muitos bens, muita riqueza material, mas a sabedoria nos ensina que não é bem assim.

De acordo com o “Aurélio”, vocação significa: “ato de chamar, escolha, predestinação, tendência, talento, aptidão”.

É preciso entender que, se somos ‘vocacionados’ a exercer uma determinada função na sociedade, é essencial que, em primeiro lugar, sejamos felizes ao fazer isso. É necessário gostar do que fazemos para podermos fazer bem feito.

Vamos imaginar como seria a vida de alguns ídolos do momento, de algumas pessoas que julgamos ser tão ‘glamorosas’, tão deslumbrantes. Por exemplo, os jogadores de um time profissional de futebol, ou os atletas de outro esporte qualquer, têm que se submeter a um treinamento exaustivo, a um rígido condicionamento físico, a inúmeras viagens, a ficarem ‘concentrados’ dias e dias, longe da família e dos amigos; isso só é possível porque eles gostam do que fazem, e dedicam-se ao seu trabalho.

Da mesma forma, um ‘galã’ de novela terá que se submeter a uma maratona de ensaios, decorar textos e mais textos num curto espaço de tempo, esperar horas intermináveis para gravar sua fala que, às vezes, não passa de alguns poucos minutos; e ainda tem o agravante da instabilidade de emprego, pois depende da aceitação do público e de uma concorrência muito grande, pois todos os dias surgem novos talentos querendo também uma chance.

Também um cantor de sucesso terá que participar de inúmeros ensaios, horas e horas de viagem e inúmeros shows. Terá que se dedicar inteiramente à sua carreira para continuar em destaque e, quanto mais sucesso consegue, mais compromissos, dedicação e menos privacidade, ficando, muitas vezes, impossibilitado de ir a um restaurante, ao supermercado ou ao cinema sem ser importunado pelos fotógrafos e pelas fãs. Batalharam tanto para conseguir o que queriam e não têm a tranquilidade desejada.

Poderíamos citar outras profissões, bastante conhecidas em nosso meio, cada uma com sua peculiaridade. Tomemos como exemplo um médico, que estudou tanto para se formar e que depois de conseguir uma grande clientela, não terá mais tempo para o lazer nem para a família, em virtude das inúmeras consultas agendadas para atender, das incontáveis cirurgias e dos plantões no hospital; ou um Padre, que dedicou sua vida à Palavra de Deus e à salvação dos fiéis, e que terá de abrir mão de muitas coisas para exercer bem sua vocação; ou ainda um bom advogado, sempre lendo e estudando para acompanhar os processos sob sua responsabilidade e defender bem seus clientes; ainda o professor, com a ‘obrigação’ de estar sempre atualizando seus conhecimentos e melhorando seu desempenho para ensinar bem aos seus alunos.

Enfim, todos os profissionais, sem exceção, precisam se identificar com o que fazem para se realizarem na profissão que escolheram.

Com isso, vislumbramos a real e grandiosa importância de seguirmos a nossa ‘verdadeira’ vocação: fazermos o que realmente gostamos e que sentimos prazer. Já disseram que ‘um erro de profissão equivale a um erro de vida’. Podemos imaginar o sofrimento de uma pessoa, tendo que acordar toda manhã e desempenhar uma função, realizar um trabalho que não goste, que não lhe satisfaz, que não lhe dá prazer!

Infelizmente, muitas profissões são pouco valorizadas em nosso meio, mas temos que levar em conta a importância da realização ‘pessoal’ e por isso essa decisão é intransferível, não podendo depender da vontade dos pais, da influência do meio social, ou ainda, da opinião de outras pessoas. Terá que ser uma decisão de foro íntimo, de acordo com o que a pessoa realmente deseja e quer para si.

O normal e o desejável é que a escolha de uma profissão seja definitiva, mas, infelizmente, encontramos muitas pessoas que escolheram errado e são muito infelizes; é bom lembrar que sempre haverá a possibilidade de um recomeço, de uma mudança. Pense nisso!