Destaques Opinião

Vocação de Crescimento

POR GILBERTO BATISTA DE ALMEIDA

8 de outubro de 2020

“O turismo só não é a principal fonte de receita do Brasil porque não se acordou para seu potencial para além de um orgulho primário de dizer que é seu.” – Carlos Alberto Huang. Um dos maiores problemas a ser enfrentado na era pós pandemia será, sem a menor dúvida, a retomada do crescimento econômico que proporcione uma geração de emprego muito maior do que a que o Brasil tem conseguido ao longo das últimas décadas. O desafio da geração de emprego começa na oferta de oportunidades para milhões de jovens que ingressam no mercado de trabalho anualmente, mas hoje, pelos momentos e impactos sofridos pela economia, deverá merecer uma atenção especial os homens e mulheres que em face da pré-recessão instalada, perderam suas vagas.

É preciso que o coração dos dirigentes se sensibilize verdadeiramente para isto, porque eu considero tão pesado ou até pior que os problemas de saúde, é não dar dignidade às pessoas assegurando-lhes o direito ao trabalho. Não se trata mais de uma bandeira ideológica, mas uma chaga social que precisa ser amenizada e curada, sob pena de uma convulsão social. Até porque, o desemprego comprovadamente ocasiona doenças psicossociais que debilitam as pessoas.

Políticas de geração de emprego são executadas pelo governo federal, pelas diretrizes da macro economia e aquecimento econômico, mas os estados e municípios não podem se furtar a subsidiariamente empreenderem ações no âmbito de suas competências para atuar firmemente na geração de postos de trabalho. Particularmente os municípios devem exercer um papel fundamental, preparar a infraestrutura das cidades para que sejam atrativas e empreender negociações exitosas para que possam fomentar vetores de desenvolvimento.

Entretanto os prefeitos de uma maneira geral, cometem erros de avaliação que resultam em projetos malogrados, exatamente porque a vocação e o potencial das cidades devem ser respeitados. Em meus tempos de estudante, a saudade do interior que até hoje me consome, me conduzia a frequentar a cidade de Betim em quase todos os finais de semana por convite de um colega. Betim era uma cidade tipicamente interiorana, gostosa e prosaica e em seguida pude assistir sua industrialização cujo clímax ocorreu com a implantação da Fiat. Hoje Betim é uma poderosa cidade sob ponto de vista da gigantesca arrecadação de ICMS, entretanto vive dilemas sociais dos mais severos exatamente pelo impacto pouco planejado de seu crescimento.

Por isso, quando todos discutem como enfrentar este desafio em Passos, é preciso compreender a necessidade de fomentarmos os atores econômicos atuais que nem sempre obtém o apoio necessário dos órgãos municipais. Apenas a título de exemplo, no agronegócio, o dever de casa mínimo é manter as estradas rurais em perfeito estado e durante o ano todo e assim em todas as demais áreas inclusive no pujante setor moveleiro que desponta como a grande e excelente novidade que tanto vem crescendo nos últimos anos.

Já para a ampliação e criação de novos empreendimentos, não há como não observar a vocação turística de toda a região para o turismo e ecoturismo. Hoje estamos cerca de 60 quilômetros mais próximos de São Paulo, maior concentração de possíveis turistas do Brasil, em razão da estrada que passa pela Mumbuca. Pode ser que o paulistano tenha mais dificuldades para descer para a Baixada Santista congestionada, do que chegar a Passos, centro urbano principal de toda a região com potencial turístico inigualável, seja pela maravilhosa beleza da bacia do Rio Grande, seja pela majestosa presença da Serra da Canastra e suas magníficas cachoeiras.

O turista nem sempre exige luxo, mas se quisermos explorar bem seu potencial, é preciso trazer fontes de financiamento que permitam instalações confortáveis, atendimento com pessoas especializadas e alternativas de lazer bem estruturadas. Além disso, a cidade precisa se preparar, tanto em sua estrutura urbana e promovendo um comércio cada vez mais forte, serviços públicos confiáveis e principalmente projetos de divulgação para atrair turistas. Não podemos nos conformar imaginando que nossa riqueza natural por si só garanta este progresso, mas usar de investimentos e especialmente de criatividade para que correspondamos à expectativa de que, recebendo turistas, todos desejarão retornar em breve em razão da excelência do atendimento que tiveram. Com a palavra nosso futuro gestor.

GILBERTO BATISTA DE ALMEIDA, é engenheiro eletricista e ex-político, escreve quinzenalmente, às quintas, nesta coluna