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Vereador é investigado por injúria racial em comentário feito durante sessão da Câmara de Guapé

4 de agosto de 2022

REPRODUÇÃO: EPTV

A Polícia Civil abriu inquérito para investigar se um vereador de Guapé cometeu crime de injúria racial contra a presidente da Câmara Municipal. O caso ocorreu durante a reunião do Legislativo de segunda-feira (1º). A vereadora registrou um boletim de ocorrência.

Durante a sessão, o vereador Thiago Sávio Câmara (PV) respondeu a vereadora Elizabete Florêncio (PT) com os dizeres: “Esse discursinho de preta. A senhora não gosta de branco? Qual é o seu problema contra o branco?”. Elizabete explica que foi interrompida enquanto tinha o direito à fala na Tribuna.

Segundo a vereadora, não foi a primeira vez que esse tipo de comentário acontece enquanto ela fala sobre algo na Câmara. “Eu me posiciono, como uma mulher presidente da Câmara, para ser um exemplo para as outras mulheres, para elas saberem que são espaços que podem ser disputados por elas. Essas espaços de poder, esses espaços de decisão. E me refiro como eu, uma mulher preta. De repente o vereador fala ‘já vem com esse discursinho de preto’. Eu me senti discriminada”, disse a vereadora.

O vereador Thiago Sávio Câmara falou, em entrevista à EPTV, afiliada Rede Globo, que a fala teria sido tirada de contexto. Ele explicou o que teria tentado dizer à vereadora.  “O que eu quis dizer foi: ‘presidente, chega de esconder a sua incompetência por trás do seu sexo, por trás da sua cor. Ou seja, por trás do seu estereotipo’. O fenótipo da gente não quer dizer absolutamente nada ao nosso respeito. A régua que uso para medir pessoas, é a mesma que uso para melhorar o meu comportamento. Ou seja, uma régua moral”, falou o vereador. Após o ocorrido na Câmara Municipal de Guapé, um boletim de ocorrência foi registrado pela vereadora Elizabete Florêncio.

Um inquérito policial foi instaurado e o caso vai ser investigado como injúria racial. “A partir de agora nós pegaremos as imagens completas da sessão, para que a gente entenda o contexto e a forma como tudo acontecer. Para tentar verificar eventual exagero e eventual crime cometido por qualquer pessoa que seja. Nós precisamos ressaltar que os vereadores tem imunidade com suas palavras, opiniões e votos na circuncisão do município em que vivem, mas essa imunidade não é absoluta. Ela tem que ser compatível com o exercício da função. Além disso, existe uma nova lei que combate a violência política notadamente contra mulheres e, principalmente, praticados em decorrência de gênero e de cor”, explicou o delegado Alexandre Boaventura Diniz.

O vereador, que agora é investigado por injúria racial, possui três pedidos de cassação, todos por quebra de decoro parlamentar. “Eu sou gordo e careca. Isso são características. O que eu não tolero, é incompetência e falta de caráter. Infelizmente isso infelizmente ela não tem”, disse o vereador.

Elizabete diz esperar que a Justiça seja feita. “Eu creio muito na Justiça. Eu acredito na Justiça. Até porque eu tenho que acreditar na Justiça”, comentou a vereadora Elizabete. A Câmara de vereadores informou que vai se reunir para analisar possíveis providências cabíveis sobre o caso.

Fonte: G1 SUL DE MINAS