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Vera Fischer em quarentena

8 de julho de 2020

Vera Fischer analisa a atual situação da cultura no Brasil. / Foto: Divulgação

Confinada em seu apartamento, no Rio, Vera Fischer tem usado o tempo em casa para produzir o conteúdo que vai para suas redes sociais, além de fazer faxina, cuidar do jardim e cozinhar. Ao longo de uma carreira que atravessa quase cinco décadas, Vera Fischer interpretou uma série de papéis icônicos. Na TV, foi Luiza em Brilhante (1981); Jocasta em Mandala (1987); Helena em Laços de família (2000); e Yvette em O clone (2001). No cinema, atuou em Bonitinha mas ordinária (1981), de Braz Chediak, e em Amor estranho amor (1982), de Walter Hugo Khouri.

O currículo ainda inclui, além de vários outros papéis na TV, 12 peças de teatro, séries e minisséries. Agora, do alto de seus 68 anos, Vera resolveu encarar um novo papel: o de influenciadora digital.

Diariamente, a atriz alimenta suas redes sociais com dicas de filmes e séries que têm feito sucesso entre os seguidores (no Instagram, ela acumula mais de 800 mil; no Twitter, cerca de 30 mil).
Junto a fotos em que aparece superproduzida, com direito a maquiagem e salto alto, Vera comenta os títulos pinçados de uma extensa coleção de DVDs que ocupa um cômodo inteiro de seu apartamento localizado no Leblon, no Rio de Janeiro, onde ela cumpre a quarentena ao lado do filho mais novo, Gabriel, de 27 anos, e da nora, Letícia Catalá.

‘’Não me considero uma especialista no assunto. Estou mais para uma fã fervorosa’’, afirma ela, em entrevista ao Estado de Minas.

‘’Em casa, tenho uma verdadeira videoteca e sempre postei sobre isso no Instagram. Agora, na pandemia, isso ficou mais evidente. As pessoas acompanham mais, e eu preciso ter um cuidado muito grande. Não se trata só de falar sobre determinado filme ou série. Eu primeiro tenho a preocupação de rever para dar uma opinião com propriedade.’’

A coleção começou nos anos 1980. Naquela época, Vera viajava bastante para fora do país e aproveitava para trazer fitas VHS na mala. Desde então, acumular as mídias físicas se tornou um hobby, mesmo quando, mais tarde, as videolocadoras se popularizaram. Sócia de inúmeras delas no Rio, quando as lojas fecharam a atriz aproveitou os saldões para engordar o acervo pessoal.
Sem ter o contrato renovado com a TV Globo pela primeira vez em 44 anos, ela não descarta migrar para outra emissora, se o convite surgir.

‘’Fui contratada em 1976 e, de lá para cá, o dinheiro que ganhei lá foi usado para pagar meus empregados e minha vida. A nova regra da casa é essa: dispensar e não adianta discutir. Só são mantidos profissionais que, no momento, estão no ar. O resto está em compasso de espera’’, afirma.

Ela trata a demissão sem rodeios.

‘’Foi uma notícia ruim para mim, é claro. Agora preciso me adaptar a essa nova realidade, mas, ao mesmo tempo, há uma liberdade maior em não ter contrato. Abre um oceano de possibilidades.’’

Outro assunto que lhe gera preocupação é a situação política do Brasil. ‘’Já faz bastante tempo que as coisas estão ruins. Com o governo atual, vai de mal a pior’’, analisa. ‘’Não tenho um partido definido, mas não votei no Bolsonaro. Ele não está nem aí para a cultura, a educação, a saúde, a ciência. É como se tivéssemos que cancelar esse período todo.’’