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Venezuelanos pedem ajuda financeira nos semáforos: querem buscar os filhos

Ézio Santos/ Especial

12 de junho de 2021

As pessoas de classe baixa vivem com salário de US$3 e a maioria passa fome, relata venezuelano

PASSOS – O município já é um dos destinos de venezuelanos que buscam melhores condições de vida em outros países fronteiriços, em razão da grave crise socioeconômica e política com hiperinflação, escassez de produtos alimentícios básicos, alta criminalidade, e censura da imprensa. Desde o início desta semana, ao menos dois imigrantes estão na cidade, provavelmente na clandestinidade, pedindo dinheiro em locais de maior fluxo de pedestres na região central, além de motoristas que trafegam pelas esquinas onde há semáforos.

A reportagem conversou com um deles, no entroncamento das ruas Elvira Silveira Coimbras, Dois de Novembro e João Bráulio. À medida que as perguntas iam sendo direcionadas, Jhonni Rivas, de 40 anos, pai de três filhos e separado da esposa, estava mais empenhado em pedir a ajuda.

“Estamos aqui de passagem – se referindo também ao compatriota -, no máximo por uma semana. Estou juntando dinheiro para trazer meus meninos para o Brasil. Lá na Venezuela as classes média e baixa sofrem muito por causa do governo autoritário. O nosso salário mínimo é de apenas US$ 3 e tudo lá é muito caro, por isso o povo passa fome. Piorou mais ainda por causa da pandemia do novo Coronavírus. Muitas pessoas como nós dois viemos buscar dinheiro que vale muito”, contou Rivas, que mora em Maracaibo, extremo norte da Venezuela. Ele portava apenas uma mochila.

O outro venezuelano contatado pela reportagem, que atende pelo nome de Alberto e tem 44 anos, mas além de não querer esticar a conversa entre os carros no semáforo do cruzamento da avenida Arouca com rua Barão de Passos, não deixou que fosse fotografado. Apressado porque o farol verde acendeu, se limitou a dizer que ele e o amigo chegaram a Passos através de caronas, mas não revelou desde quando estão no Brasil, e por quanto tempo ainda permanecerá no país, ou volta para casa.

Secretaria oferece comida e abrigo em alberque da cidade

PASSOS – A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, Trabalho e Renda (Sedest), através do Serviço Especializado em Abordagem Social, revelou que conversou também com um imigrante angolano que está sem Passos.

“Um dos venezuelanos afirmou que não precisava da ajuda da prefeitura e que tinha conseguido um emprego em uma fazenda, mas não revelou qual. O outro mostrou o desejo de trazer sua família para Passos, foi encaminhado até Centro Pop Padre Leo e indicado para se repousar no Albergue da Associação Espírita Santo Agostinho. Já homem de nacionalidade angolana, não portava documento e comentou que está para ser contratado por um fazendeiro”, explicou a secretaria Tatiana Capute Ponsancini.

O Centro de Referência e Assistência Social (Cras) do bairro Santa Luzia, tem cadastrada duas famílias de venezuelanos. Uma chegou na cidade em 2019 e a outra mais recentemente. “Ambas recebem toda a atenção da Sedest, inclusive com cestas básicas. Até já registramos a primeira que chegou em Passos, no Bolsa Família, programa do governo federal”, contou a secretária.