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Vendas do Dia dos Namorados caem mais de 50% em Passos

13 de junho de 2020

Foto: Arquivo FM

PASSOS – As vendas do comércio do Dia dos Namorados tiveram queda de até 50% em Passos, segundo estabelecimentos consultados pela Folha. A venda de flores e de cestas de café da manhã estão entre os segmentos mais prejudicados.

Eu fiquei preparada, com vários docinhos prontos, mas de fato estava muito parado. Por conta do delivery, conseguimos superar um pouco as nossas expectativas, visto que eram poucos os pedidos antecipados. Apesar das pessoas ligarem, perguntarem e comprarem, as vendas caíram 50%”, respondeu Juliana Ribeiro, proprietária de uma loja de doces e de cestas.

Em entrevista, a proprietária de floricultura, Patrícia Garcia, relatou que a produção também apresentou uma queda.

Por conta da nossa ligação com São Paulo e a cidade ter sido fechada muito cedo, prejudicou ter rosas e flores de corte para agora. Tivemos que adaptar, valorizar outras flores e criar novos tipos de presentes com elas. Mas devido a grande demanda de pedidos e diminuição da produção, houve um aumento de 40% no preço da mercadoria”, disse a proprietária.

Foi possível perceber que as lojas de lingerie da cidade se adaptaram para o método de vendas online e presencial, e por isso conseguiram manter seus clientes e vendas.

Para Jônatas Ramos, 23 anos, foi necessário alternativas de presentes sem ser o tradicional do Dia dos Namorados.

Tive que adaptar e cancelar a ideia de jantar romântico. Então propus um piquenique, que é ao ar livre, além de dar presentes que ela possa aproveitar. Um momento à tarde e mais tranquilo, mesmo que seja uma pena que, por conta dessa pandemia, não houve opções de sair à noite”, comentou Ramos.

Os restaurantes consultados pela Folha disseram que, em comparação com o ano passado, houve queda no número de reservas. Para alguns, o fato de não poder juntar mesas e o horário comercial terminar muito cedo atrapalharam as vendas.

A proprietária de restaurante Roseli Lemos comentou que está tentando ver o lado positivo, já que foi a primeira vez que lidou com essa situação.

Falo com segurança que essa queda foi de 100%. Mesmo que eu tivesse enfeitado o bar, não houve clientes. Ano passado eu recebi cerca de 800 pessoas e dessa vez não chegou nem perto de ter esse movimento”, relata Roseli.

Diminuição no movimento força comerciante a renegociar preço

PASSOS – Para o assessor de investimentos Fabrício Bruno Perin, a queda nas vendas tem forçado comerciantes a negociarem custos e oferecer descontos.

Devido à pandemia, é o segundo mês de deflação seguido que nós temos, então acaba sendo o momento de fazer muita barganha, ajustar preços. Como tem vendido muito menos do que naturalmente se vendia, é certo que o comerciante concede muito desconto, porque ele precisa vender e fazer faturamento no curto prazo para pagar aluguel, funcionários, mercadorias que já foram adquiridas”, relatou Perin.

Segundo Fabrício, nesses momentos de incerteza no mercado, com pouco consumo, as negociações são uma saída.

Levando em consideração que o dólar caiu, se alguém for comprar ou comprou um bem relacionado à eletrônico, por conta dessa queda expressiva de 20%, é um motivo a mais para realizar compras de forma sucedida e com maiores negociações”, observou o assessor.