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Vendas de peixe aumentam cerca de 50% na Semana Santa

Por Mayara de Carvalho/ Redação

11 de março de 2021

Em Passos, os preços têm variado de R$13,50, pela bandeja de 800 gramas de sardinha, até R$75, no quilo do salmão. / Foto: Divulgação

PASSOS – O crescimento na venda de peixes chega a cerca de 50% no período da quaresma na região, principalmente na Sexta-feira Santa, 2 de abril. Frigoríficos, peixarias e piscicultores relatam que já começaram a sentir aumento na procura desde a Quarta-feira de Cinzas, 17.

Em Passos, os preços têm variado de R$13,50, pela bandeja de 800 gramas de sardinha, até R$75, no quilo do salmão. A tilápia, uma das preferidas dos consumidores, varia de R$19,50, em postas, a R$39,90, o quilo de filé.

A atendente de balcão Fernanda Aparecida Arantes, que trabalha em uma peixaria na cidade, afirma que o aumento nas vendas chega a 50%.

Normalmente, preparamos dois caminhões, de 800 quilos cada, por semana. Agora, com a quaresma, preparamos três caminhões por semana”, disse. O abastecimento, segundo ela, aumenta de 6,4 para 9,6 toneladas por mês (50%). Segundo a atendente, o local oferece cação, lula, kit paeja, sardinha, camarão e tilápia fresca, que é o carro-chefe da casa.

A gente tem uma clientela muito boa, mas nessa época do ano aumenta bastante. A expectativa é boa e, com o preço da carne vermelha nas alturas, muita gente vai aproveitar para comer peixe”, afirma Fernanda.

De acordo com a atendente, os dias com maior procura são as sextas-feiras e sábados.

Quem não come peixe a semana toda, acaba procurando para fazer nas sextas e domingos, muita vezes por tradição religiosa”, contou.

O piscicultor Antônio Carlos do Couto, que atua em Capitólio há 14 anos, aponta mudanças na produção de tilápia por conta de pandemia. Com o preço da ração elevada e as incertezas causadas pela pandemia, ele afirma não ter conseguido engordar os alevinos o suficiente para a chegada da quaresma e que tem precisado comprar peixes vivos de outros produtores para atender o aumento na demanda.

Tenho 57 tanques e crio de 1.500 a 2 mil peixes por tanque. Produzi menos quilos por ter colocado menos ração, nesses 11 meses, que é o período de crescimento e engorda do animal. Acabei dando uma freada na alimentação dos peixes, pois demandava muito dinheiro e o coronavírus trouxe bastante insegurança para todos, inclusive nós, produtores. Eu costumava usar 32 sacos de 25kg, que custam R$68 cada, por dia em meus tanques e, não ter conseguido manter a mesma alimentação dos alevinos, por não saber até onde essa pandemia iria, estou sentindo os reflexos agora”, disse.

Segundo Couto, a solução tem sido recorrer a outros produtores. “E o preço aumentou. Antes um peixe vivo custava R$7. Agora, estou pagando R$9. É a época e a demanda altíssima”, afirma.

O negócio é que para fazer um quilo de filé de Tilápia, gasto três quilos de peixe. Aí vem custo operacional, que eleva o valor do produtor para R$31, e vendo por R$38, R$39, depende o corte que o cliente quer. Hoje, o patamar que trabalho são 10% e é um desafio já que trabalhávamos antes com uma média de lucro de 25%. Esperamos que ano que vem esse quadro melhore”, afirmou.