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Vargem Bonita terá Coleta Seletiva em 100% da cidade

LUCIANA GRILO RICARDINO/ Especial para a Folha

24 de junho de 2021

A engenheira Sandra Oliveira, o prefeito Samuel Matos, a secretaria de cultura Rosicler Matos e o representante do grupo Viraser Martiniano Fagundes do Nascimento:/ Divulgação

VARGEM BONITA – O município de Vargem Bonita, na região da Serra da Canastra, aprovou projeto de lei para implantar coleta seletiva. A proposta tem o apoio da empresa JDE, multinacional de cafés com unidade em Piumhi, através do Programa Viraser de Logística Reversa. A coleta tem previsão de início para a segunda semana de julho.

“A implantação da lei proposta trará reflexos positivos no âmbito social, ambiental e econômico, pois tende a diminuir o consumo dos recursos naturais, já que diminui os impactos ambientais provocados pela disposição inadequada dos resíduos sólidos”, diz a lei sancionada pelo prefeito Samuel Alves de Matos.

Segundo a engenheira ambiental Sandra Regina de Oliveira, responsável pelo projeto em Vargem Bonita, atualmente o município coleta uma média de vinte toneladas de lixo por mês e todo o material é despejado em um aterro controlado. O objetivo é que os resíduos sejam destinados adequadamente, inclusive com o fim do aterro controlado e uso de aterro sanitário terceirizado.

“A coleta seletiva em Vargem Bonita está em estudos desde 2019, quando a prefeitura voltou o olhar para o setor de Meio Ambiente, através da nossa então vice-prefeita, Álea Picardi, uma das primeiras pessoas a idealizar a coleta seletiva. É um sonho para o município, é restabelecer o equilíbrio do meio ambiente em uma área de amortização da Serra da Canastra”, avalia a engenheira.

A participação da JDE na coleta seletiva de Vargem Bonita é uma extensão de um trabalho de gestão de coleta seletiva já desenvolvido em Piumhi, onde foi instalada a primeira Central de Triagem no modelo “Franquia Social Viraser” cuja capacidade é de processar até mil toneladas por ano de resíduos.

A coleta seletiva em Vargem Bonita vai atender toda a população pelo sistema “porta em porta”, já realizado na coleta regular do município, e será setorizada a partir da ação dos grupos de coleta e dos Pontos de Entrega Voluntária. O projeto prevê ainda o envolvimento de agentes de saúde, agentes comunitários de saúde e outros agentes inseridos nas políticas municipais.

Também serão implantados Pontos de Entrega Voluntária, com espaços apropriados para armazenamento e transbordo de todo material reciclável, de forma a atender a toda municipalidade urbana e rural. Ainda segundo a nova lei, esta rede poderá ser estabelecida em áreas públicas, cedidas por terceiros ou ainda locadas entre os imóveis disponíveis no Município.

Todas as instalações públicas da administração municipal serão adaptadas de modo a facilitar o recolhimento adequado dos resíduos. O município de Vargem Bonita já possui um galpão para a instalação da Usina de Triagem, mas ainda não está operando. De acordo com a lei da coleta seletiva, o município poderá destinar resíduos da coleta seletiva para a Associação ou Cooperativa com atuação oficial no território do Cicanastra.

Dentro do galpão da usina está prevista a criação de um museu do lixo, com espaço para visita de estudantes e realização de palestras, oficinas e ações de educação ambiental, em parceria com as secretarias de educação de Vargem Bonita e região.

“Nosso objetivo é que este projeto se torne modelo, vitrine em coleta seletiva em Minas Gerais”, afirma a engenheira.

Vargem Bonita é o berço do Rio São Francisco, temos a obrigação de cuidar e tornar o nosso município uma cidade sustentável, afirma o prefeito Samuel Alves de Matos.

“Vargem Bonita foi uma cidade de exploração mineral (diamantes) e hoje está tendo a oportunidade de mudar a história do impacto em promoção ambiental. As ações ambientais são uma forma de honrar nossos ancestrais, antes nossa riqueza era o diamante, hoje nossa riqueza é o meio ambiente”, avalia a engenheira ambiental.

Lei prevê multa e cassação de alvará

VARGEM BONITA – A lei de coleta seletiva também prevê penalidades a ações que possam interferir para bom funcionamento da coleta seletiva, como catadores informais não organizados; sucateiros, ferro-velho e aparistas financiadores do trabalho de catadores informais.

Além disso, os estabelecimentos que não cumprirem as diretrizes estabelecidas pela Vigilância Sanitária Municipal, Departamento de Meio Ambiente poderão receber penalidades que vão de multa à cassação do alvará de funcionamento.

Segundo a prefeitura, o trabalho terá um núcleo permanente de gestão integrada de resíduos que será responsável pela coordenação das ações e deverá incorporar os órgãos municipais responsáveis pelas ações de planejamento, meio ambiente, limpeza urbana, assistência social, políticas para a saúde pública e educação, sob a coordenação do Departamento de Meio Ambiente.