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Uma história de luta por justiça

26 de setembro de 2020

Ken Follet, autor de ‘O Crepúsculo e a Aurora’. / Foto: Divulgação

Ken Follett tem um grande tema em sua obra, não importa o tempo que ele está retratando ou os fatos históricos em que se baseia: a luta de pessoas comuns por algum tipo de liberdade. “Isso significa que os conflitos vividos pelos personagens não são meramente egoístas, mas têm um propósito nobre”, disse o escritor britânico de 71 anos durante a apresentação de seu novo livro, O Crepúsculo e a Aurora, que chega agora às livrarias de todo o mundo.

O tema aqui é a luta por justiça, algo ainda mais difícil em se tratando da Idade das Trevas, de onde o autor parte para contar esta história que antecede os acontecimentos de Os Pilares da Terra, seu maior sucesso editorial – desde o lançamento, em 1989, ele vendeu 27 milhões de cópias. O autor soma 170 milhões de cópias vendidas de seus 36 títulos, em 80 países e 33 idiomas.

Difícil, ele explica, porque lá não existia ainda o estado de direito.

Toda a decisão tinha a ver com quem você conhecia, com quem você se relacionava. E isso tem ressonância hoje porque a supremacia da lei sobre o governo tem sido contestada. Algo que todos nós pensamos que tinha sido resolvido anos atrás e agora vemos governantes de todo o mundo questionando o estado de direito. Isso não é respeitado pelo primeiro-ministro do Reino Unido, pela Polônia nem por Donald Trump nos Estados Unidos.

Mas foi uma coincidência que a questão aparecesse na ficção e na realidade.

Meus livros não têm uma mensagem, mas é interessante a frequência com que um drama histórico desse tipo tenha repercussões no presente”, comentou.

O Crepúsculo e a Aurora tem início no ano de 997, um momento em que a Inglaterra começa a tomar um novo rumo depois de meio século de progresso quase nulo. A história se passa então entre o fim da Idade das Trevas e o começo da Idade Média, que representou o renascimento da Europa como civilização. O cenário é a Inglaterra sob disputa de três grupos – os anglo-saxões, os vikings e os normandos.

Mergulhar nesse período foi um dos motivos que fizeram o autor dedicar três anos de sua vida. O outro foi tentar imaginar como Kingsbridge, sua cidade fictícia, era antes de se tornar cenário de três de seus livros – a cidade que construía sua catedral em Os Pilares da Terra, a que agonizava com a peste negra em Mundo Sem Fim e a que se via em meio a uma guerra religiosa em Coluna de Fogo.

Em histórias como essa sobre progresso, há sempre conflitos – entre as pessoas que querem o progresso e aquelas que não querem, por exemplo, um mercado, uma ponte ou uma catedral e que preferem as coisas do jeito que elas sempre foram nos velhos tempos. Um conflito que continua hoje, em todo país civilizado, como acontecia na Idade das Trevas ou 200 anos atrás.”

O CREPÚSCULO E A AURORA. Autor: Ken Follett. Trad.: Fernanda Abreu. Editora: Arqueiro (704 págs.; R$ 69,90; R$ 39,99 o e-book)