Destaques Dia a Dia

Uma boa Fofoca

POR SEBASTIÃO WENCESLAU BORGES

21 de outubro de 2020

Ao longo da vida e com as marcas do tempo, deixamos pra trás, bem guardadas na memória, lembranças. E alguns registros físicos dessas lembranças às vezes são bem guardados também! Dias passados, resolvi revisitar meu baú onde estão muito bem cuidadas e guardadas as revistas que já não circulam mais e que pessoas que já estão na faixa de idade dos enta como eu, devem se lembrar. Folheando as revistas, me vi em minha juventude na “Lustradora Passense” do João Romeiro, lugar em Passos onde se compravam as revistas e gibis daquela época. Eram revistas que versavam sobre uma gama enorme de assuntos da atualidade, e reportagens variadas com belas fotos tanto coloridas como em preto e branco, e que, sem toda essa tecnologia de hoje e nem pensando em o que seria a internet, as revistas despertavam muito interesse para maioria da população!

Nesse meu baú tenho guardadas inúmeras revistas como a Revista Manchete com a vitória de Janio Quadros, a de sua renúncia, a posse de Jango, quando da primeira vez do homem na lua, suicídio e funeral de Getúlio Vargas, a vitória de JK, inauguração de Brasília, e outras de fatos históricos que marcaram época no Brasil, as grandes vedetes brasileiras na capa e a mais famosa do Brasil: Carmem Miranda! Essas duas últimas citadas ganhei do saudoso amigo Pedro Ramalho, o Chaminé.

Várias revistas O Cruzeiro, as de futebol como a Copa de 58 e 62 que tem em sua capa os Capitães Beline e Mauro erguendo a taça Jules Rimet, e uma edição especial com charges de “O Amigo da Onça” do cartunista Péricles.
Uma grande coleção da Revista do Esporte, várias da Gazeta Esportiva, muitas dessas revistas ganhei do amigo Antonio Lemos da Silveira. As famosas revistas Placar, com reportagens futebolísticas e suas capas coloridas, algumas com reportagem sobre o nosso “Verdão”, O Clube Esportivo de Futebol Passense. Revista Capricho que trazia as fotonovelas. Outras como Querida, A Modinha Popular, Amiga TV Tudo, Pop, Grande Hotel que tinha também suas fotonovelas, Contigo, Carícia, Sétimo Céu várias edições históricas que entraram para a história de Fatos e fotos algumas revistas Cinelandia que abordava o mundo do cinema, uma trazendo na capa Brigitte Bardoi e Marylin Monroe. Também muitas revistas antigas Veja, uma delas trazendo uma grande reportagem sobre a vida do Passense Tião Maia.

Entre outras tantas, tenho uma grande coleção da revista mais popular e mais lida da época, A Revista do Radio, que retratava exclusivamente as notícias do universo artístico. Páginas em que artistas eram entrevistados, acompanhamentos das novelas e outras variedades sobre a vida dos artistas, principalmente dos cantores da “Jovem Guarda” que faziam sucesso, e celebridades que ligavam ao mundo do radio. Tenho dessa revista capas de Cauby Peixoto, Celly Campello, Marlene e Emilinha Borba, Agnaldo Rayol, Hebe Camargo, Angela Maria, Yoná Magalhães, Nelson Ned, Erasmo, Wanderlea e Roberto Carlos… E a revista tinha como carro-chefe a sessão de fofocas com o título denominado “Mexericos da Candinha.”

Era uma personagem criada pela redação da revista que colocava notas sobre a vida pessoal de artistas, e o povo, leitor, acreditava que se tratava de noticia real! E a Candinha sabia de tudo da vida dos artistas, e ninguém sabia quem era ela, a pessoa que escrevia e fazia aquela tão lida coluna da revista. Essa página da revista que na verdade eram duas paginas, ficou tão famosa, procurada e lida que foi festejada em uma música durante o auge da Jovem Guarda por Roberto Carlos: “a Candinha gosta mesmo de falar/ ela diz que sou maluco/ e que o hospício é meu lugar/ já esta falando do modelo do meu terno”… E alguns artistas não admitiam e respondiam certas fofocas dizendo “Ela fala pelos cotovelos, ela é uma grande fofoqueira, só sabe tagarelar, vive de blá- blá- blá! E o povo, ao ler, comentava: “olha o que a Candinha está falando aqui, puxa, será verdade? E assim o papo sobre fofocas iam se multiplicando!

A Revista do Radio foi, sem dúvida, um dos grandes destaques da Era do Radio, era em que seus locutores, com seus vozeirões entravam nas casas através dos grandes aparelhos de radio que reinavam absolutos nas casas de boa parte da população, enquanto a televisão ainda não se fazia presente como hoje nos lares brasileiros. Enfim, nesta época, muitas foram as pessoas que carregavam o apelido de “Candinha” por ser futriqueiro, linguarudo, fuxiqueiro, língua solta, e por gostar de fazer uma boa fofoca! É o tempo passando e a gente “Memoriando”!