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Um presidente, que nada!

POR ESDRAS AZARIAS DE CAMPOS

9 de janeiro de 2021

Não é só na Praia Grande que Jair Bolsonaro nada de braçadas, está nadando de braçadas na política mantendo a sua campanha eleitoral visando a reeleição em 2022. Quem realmente está governando o país? Faz sentido a pergunta? Sim, porque existe uma imensa e cara máquina pública governamental funcionando, aliás, claro né, nem pode parar, mesmo quando falta o governante, funciona mal, mas funciona! Este é de fato o atual quadro político/administrativo republicano do Brasil.

Funcionar sem presidente! Está assim desde 2019, o presidente vem terceirizando as tarefas desde que deixou a reforma da previdência nas mãos do Congresso Nacional, já em 2020 ele lavou as mãos diante da pandemia, tanto que o STF teve de passar aos governadores e prefeitos o protagonismo ao enfrentamento do Coronavírus. Senão a desgraça seria ainda maior. À primeira vista pode parecer uma afirmação politiqueira e leviana anti-bolsonarista, dizer que o presidente não governa.

Claro que governa, mal, mas governa até porque ele está lá ocupando o “trono” do Palácio do Planalto e o conforto e as mordomias do Palácio da Alvorada. Ele colocou a faixa presidencial, escolheu os ministros para compor o seu desgoverno, distribuiu milhares de “cargos boquinhas” para os militares, inclusive com cinco ministérios e o mais inexpressivo deles é o General Pazuello, o expert em logística como ministro da Saúde em plena pandemia.

O Ministério da Educação em dois anos de desgoverno já está no quarto ministro (um nem chegou a exercer), somente time de futebol em crise consegue mudar tanto assim de técnicos! E os ministros da educação então, cada um mais incompetente que o outro. Fica parecendo que o presidente sente o maior prazer em nomear verdadeiros analfabetos funcionais para cuidar do ensino/educação. Logo nesses dois ministérios, Saúde/Educação considerados os mais importantes para o atendimento social diretamente ao povo.

O presidente nada no mar e nada de assumir suas responsabilidades nos seus dois anos de desgoverno. Como um quixotesco personagem ficou até hoje caçando ou criando inimigos para combater. Ficou um ano e meio de desgoverno, ou se preferirem governando para os seus fieis seguidores fazendo aglomerações de “bolsominions” no cercadinho na porta do Palácio do Planalto para combater os inimigos da Pátria Amada. Esquerda, PT, Lula STF, Rede Globo, Congresso Nacional, governadores não alinhados, não necessariamente nesta ordem são os preferenciais inimigos escolhidos pelo Bolsonaro.

Mas não ficou só nestes não, o Bolsonaro vê inimigos até mesmo no seu círculo mais íntimo do poder. Qualquer um, seja civil ou militar que lhe fizer a menor sombra é defenestrado sem dó nem piedade. A lista dos chutados é grande, mas vou citar os mais conhecidos: Bebiano (falecido) ex-presidente do PSL, o ex-ministro Mandetta, o General Santos Cruz e o mais importante de todos, o ex-juizeco Sérgio Moro. De meados de 2020 para cá o Bolsonaro resolveu abandonar algumas de suas promessas eleitorais a começar pela a política do toma-lá-dá-cá e caiu nos braços do Centrão, do MDB do Temer, PTB do Jefferson, todos estes famigerados grupos de partidos que topam qualquer parada por cargos e. bom, deixa prá lá, que todo mundo conhece bem a fama de todos eles.

De certo modo, ainda no ano que passou, o presidente Bolsonaro chegou a ensaiar um auto-golpe certo do aval das cúpulas das Forças Armadas. Mas, teve de mudar o foco diante de declarações oficiais militares, inclusive do comandante, o General Edson Pujol, de que o Exército não é uma instituição do governo. E se mudou o foco não perdeu a ideia central, ou seja, Bolsonaro faz a única coisa que sabe fazer, continuar culpando a mídia. E esta tática de Bolsonaro para desviar o foco da sua (dele) incompetência e de seus erros propositais diante da pandemia, vamos reconhecer, ele está saindo ileso porque as denúncias da imprensa, da esquerda e da oposição não surtem os efeitos esperados.

Bolsonaro continua leve e solto e até bem colocado nas pesquisas como regular, bom e ótimo. E tanto a esquerda como as demais oposições sequer têm planos para enfrentá-lo em 2022. E no ano que se inicia, Bolsonaro apresenta a primeira desculpa: “O Brasil está quebrado, não posso fazer nada”! É no fim desse extenso túnel de insanidades não há luz! Nota final: O auto golpe do Donald Trump faiôô!

ESDRAS AZARIAS DE CAMPOS é Professor de História