Destaques Dia a Dia

Um presente de Carlos Abreu

20 de Maio de 2020

Noite de domingo, eu quieto dentro de casa, televisão ligada, assistindo a reprise de Flamengo 2×0 Vasco, jogo da final da Copa do Brasil de 2006, aí toca o telefone: Era o amigo Carlos Abreu me telefonando de Belo Horizonte, me dizendo que acabava de me enviar vários vídeos através de meu e-mail.

Assisti os vários vídeos que dele recebi, uma verdadeira relíquia! Tem vários com músicas inesquecíveis, trilhas sonoras de famosos filmes como Os dez Mandamentos, Suplício de Uma Saudade, O Candelabro Italiano, A Ponte do Rio Kwai, dentre outras.

Ao assistir esses vídeos, dois deles em especial fizeram com que eu me emocionasse ao relembrar coisas boas em que vivi, por eles terem feito parte de minha infância e juventude. Um foi produzido (e muito bem feito) por José Dimas Teixeira, nos mostrando como foi o início das ferrovias em nossa região, desde a inauguração do primeiro ramal que foi na cidade de Guaxupé, com o trem de ferro (na época Maria Fumaça) passando por várias já saudosas estações até chegar a nossa cidade de Passos.

O outro vídeo é sobre a vida do desportista Antonio Abrahão Caram (1913-1965) que poucos Passenses conhecem, principalmente os mais novos moradores de nossa cidade, e talvez até mesmo alguns jovens dirigentes e jogadores do time do Caram.

Em Belo Horizonte, a Avenida que leva até o Mineirão e Mineirinho tem seu nome devido seu incentivo para a construção do Estádio do Mineirão. Ele foi Presidente da Federação Mineira de Futebol, Presidente do Clube do América de Belo Horizonte, Presidente da Secretaria de Esportes e Presidente de outras Federações Esportivas. Quando do lançamento de meu primeiro livro “Memoriando” em 2002, no qual eu faço várias referências a ele, seu filho, Antonio Abrahão Caram Filho, na época presidente do Ipsemg, em Minas Gerais, recebeu (creio eu) do Passense Evandro de Pádua Abreu meu livro. Daí ele fez algumas vezes contato comigo e, atencioso, me fez o convite a ir a Belo horizonte e conhecer a família Caram!

Mas voltando à minha conversa via telefone com o amigo Carlos Abreu, por um bom tempo naquela noite esticamos nossa conversa, viajamos no tempo, relembrando vários fatos e costumes que com o passar do tempo caíram no esquecimento.

“São acontecimentos que os mais jovens nem sonham que ocorreram em nossa cidade de Passos.”

Sobre os costumes de nossa infância, nossos brinquedos que nós mesmos fazíamos, das matinês de faroeste e seus seriados, as coleções de álbum de figurinhas, os rachinhas de futebol… E tempo era o que não faltava para a meninada, tudo tinha gosto, tudo era novidade e nos deixava viver alegremente.

Carlos com emoção me contou das caronas que ele pegava no trem de ferro da Estação até o Viradouro, na época em que seu pai Antonino Acácio Abreu (Sô Nego) trabalhava na fábrica de manteiga Aviação, ali perto da Estação Mogiana, lembramos daquele barracão de frente a Câmara de Passos, que era um grande depósito de açúcar da Usina Açucareira e o trem de ferro diariamente transportava açúcar por várias partes de nosso Brasil.

Falamos dos costumes que rodeavam nossa cidade em nossa juventude, da Praça da Matriz e seu “rela”, do alto – falante que ficava em cima do pequeno prédio do Cine Roxy, das músicas daquela época, de seus locutores que por ali passaram, sempre revezando, e um deles foi o seu irmão “Epabreu” Evandro de Pádua Abreu. Dos saudosos moradores das “Candeias.” Conversamos e matamos saudade ao lembrar daquilo que vivenciamos de um maravilhoso passado que ainda permanece vivo em nossa mente.

Enfim, obrigado Carlos por me passar essas relíquias que agora estão fazendo parte de meu (já nem tão pouco pequeno) museu, e quem sabe, um dia eu possa fazer uma exposição. E a você, leitor, até quarta- feira com o texto contando quem foi Antonio Abrahão Caram, e o futebol amador dos anos 50 em Passos!

É o tempo passando e a gente “Memoriando”!