Destaques Dia a Dia

Um Jeito Novo de Fazer Política

POR SEBASTIÃO WENCESLAU BORGES

11 de novembro de 2020

Chegamos à reta final de mais uma eleição. Pesquisei o perfil de vários candidatos e escolhi, creio eu, os melhores! Acompanho os bastidores da política de Passos desde a época em que o cargo de vereador não era remunerado, e se fazia política por vocação e amor à cidade. Participei de reuniões com verdadeiros políticos, tanto de nossa terra, como de expressão nacional como Tancredo Neves, Itamar Franco, Helio Garcia, Camilo Nogueira… E em minha juventude já votei com cédulas colocadas dentro de envelope!

Participei de comício na frente do matadouro, com Tancredo Neves em cima de um velho caminhão, com uma lâmpada acesa, parecendo um tomate em cima de sua cabeça, ladeado pelos políticos Neif Jabur, José Figueiredo, Antônio Pedro Patti, Dr. Breno Soares Maia, Dr. José Hernani da Silveira, Waldemar Ribeiro de Oliveira, Sebastião Aun, Antonio Domingos Pereira, Jairo Roberto da Silva, Marcio Silva Nogueira, Domicílio Ernesto Leite, Cóssimo Baltazar de Freitas… Ele, Tancredo, com seu dom de um dos melhores oradores do Brasil, empolgava a todos naquela praça escura onde foi o SESI, e durante a campanha eleitoral os comícios ocorriam com shows sertanejos com artistas a nível nacional visando grandes concentrações.

No local das apurações, do lado de fora fervia de gente, e através de um alto falante, a cada urna aberta, eram cantados voto por voto, tanto de prefeito como de vereador, levando até uma semana para o resultado final! Já ouvi muitos comentários como se fazia a política na época do Coronelismo, contados das bocas dos apaixonados eleitores que eram conhecidos não pelas siglas partidárias em nossa cidade de Passos, mas por Pato x Peru. A pessoa do Coronel em volta de seu curral eleitoral era respeitada, tinha a fama de ter no bolso o Delegado, que a mando do Coronel, com os poucos soldados saiam ás ruas á cata de bêbados para dormirem no xilindró. Aí era a vez dos Coronéis; com um simples bilhete, o Delegado pau mandado dizia: “Em nome do Coronel te coloco na rua”… Ganhava seu voto e até dos familiares!

O Sistema Eleitoral era muito frágil e fácil de ser manipulado. Os Coronéis (geralmente ricos fazendeiros) compravam votos para seus candidatos por dinheiro ou bens materiais: botinas, dentaduras, óculos, sacos de mantimentos… Era o tal voto de “Cabresto”. Como o voto era aberto, os Coronéis juntavam os eleitores no dia da eleição em um determinado local fechado, era servida muita comida, ensinava os analfabetos a desenhar o nome, e com a cédula pronta, saiam acompanhados pelo cabo eleitoral do candidato para votar. Eram os conhecidos e famosos “Currais eleitorais”. Havia a falsificação de documento para que as pessoas de confiança dos Coronéis pudessem utilizar título e documento de falecidos nas votações. Essa prática era chamada de “Voto Fantasma”. Perto dos Coronéis ou dos capangas, ninguém tinha o topete de desobedecer suas falas, e se alguém lhe devesse algum favor e como se dizia “mijasse fora do penico” era um Deus nos acuda.

Mas longe dos mandatários, principalmente nos encontros nas vendinhas na hora de “molhar a goela” sempre se ouvia dos eleitores: “Política, e os políticos é iguar impulerá pato, nois vota, bota o danado no poleiro, e a primeira coisa que ele faiz é sujá na cabeça da gente, pra mim são todos farinha do mesmo saco!” Ao aproximar as eleições, tanto um partido como o outro contratava seus cabos eleitorais, e eles saíam para tudo quanto era canto à caça de votos, e a pergunta era: “Quantos votos?” “Hoje entre eu, a muié e os fiios são 12, mais para a próxima com as noras e os genros chegando vão ser mais de 20, o senhor pode contá com todos, somos pobres Coroné, mas, somos fiéis!” Quanto mais eleitores tinham em casa, maior a oferta, recebiam um pacote de cédulas e a gratificação para todos da família.

E assim a política pegava fogo, clima tenso com muitos insultos, maior parte do povo com seus revólveres na cintura, nervos a flor da pele, gente virando a cara uns pros outros, caminhões cheios de foguetes chegando, e a cada estouro se ouvia “viva nosso candidato!” E uma parte do povo cantava: “Pato é mato, peru é fraco”… Enfim, passadas várias décadas da era do Coronelismo, novos tempos vieram, mudaram-se os costumes e as tradições, surgiram novas siglas e novos candidatos, muitas promessas e um jeito novo de fazer política. E que no domingo todos tenham uma tranquila e boa eleição! É o tempo passando e a gente “Memoriando”!