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Um em cada dez jogadores de futebol apresenta sintomas de depressão

22 de abril de 2020

MUNDO – Um estudo do sindicato mundial dos jogadores de futebol (Fifpro), divulgado nesta segunda-feira, 20, aponta que ao menos um em cada dez atletas (13%) apresenta sintomas de depressão após a paralisação do esporte em razão da pandemia do novo coronavírus.

O projeto foi conduzido entre 22 de março e 14 de abril e ouviu 1.602 jogadores em 16 países que adotaram práticas de isolamento social, como Inglaterra, França, Austrália e Estados Unidos. Neste grupo, estão incluídas 468 mulheres.

Cerca de 13% dos homens e 22% das mulheres apresentaram sintomas de depressão. Um estado de “ansiedade generalizada” foi detectado em 18% dos jogadores e em 16% das jogadoras.

“No futebol, de repente, jovens ateltas estão em isolamento social, com uma suspensão de suas vidas e dúvidas sobre o futuro”, apontou Vincent Gouttebarge, ex-jogador francês e chefe médico da Fifpro.

Com muitos países sob normas rígidas de confinamento para tentar impedir a propagação do coronavírus, Gouttebarge atenta que diversos atletas profissionais vivem no exterior, sem a presença de suas famílias. Eles também precisam lidar com a insegurança a respeito de suas carreiras, uma vez que vários têm contratos perto do fim.

A enquete da Fifpro, realizada junto ao hospital da Universidade de Amsterdã, dá continuidade a um estudo realizado entre dezembro e janeiro, quando apenas 6% dos homens e 11% das mulheres demonstaram sintomas de depressão.

“Ao realizar o estudo e publicar os resultados, somos muito conscientes de que estamos comunicando uma reflexão sobre um problema social que afeta muito mais gente” assinalou o secretário-geral da Fifpro, Jonas Baer-Hoffmann.

Apesar disso, a Fifpro não quer que as preocupações com a saúde mental dos esportistas seja usada como argumento para retomar as competições antes da hora.

“Se colocarmos pressão sobre os jogadores para fazê-los voltar a um meio em que sua saúde esteja em perigo, podemos aumentar sua ansiedade e sua preocupação” alerta Baer-Hoffmann. “A ênfase deve estar em compreender que os jogadores de futebol são mais parecidos com o restante da sociedade do que as pessoas pensam”.

Como qualquer cidadão, os atletas enfrentam medidas de isolamento social desde março para conter o coronavírus. A pandemia já provocou a morte de 164 mil pessoas no mundo, dois terços das vítimas na Europa.