Destaques Música

The Killers lança sexto álbum

4 de setembro de 2020

Banda americana lançou agora o disco inicialmente previsto para maio passado, por causa da pandemia. / Foto: Divulgação

Quando surgiu, na primeira metade dos anos 2000, a banda The Killers fazia muito sentido. O quarteto formado em Las Vegas (EUA) debutou com o álbum Hot fuss (2004), recheado de músicas que capturavam a nostalgia e o glamour do novo milênio, embaladas pelos vocais à la Freddie Mercury (1946-1991) do vocalista Brandon Flowers.
Conforme a carreira da banda progrediu, seu papel na música alternativa tornou-se menos claro. A sonoridade pós-punk-new-wave e a estética visual que une, num só universo, jaquetas de couro e ternos brancos perdeu relevância na cena musical, que evoluiu amplamente.

Nesse cenário, seu sexto registro de estúdio, Imploding the mirage (Island Records/Universal), lançado na semana passada, parece feito por uma banda que ainda luta para encontrar sua própria identidade. Em certo sentido, o trabalho leva os Killers em nova direção. Primeiro projeto após a saída do guitarrista e cofundador Dave Keuning – que alegou ‘’frustração criativa’’ após o lançamento de Wonderful wonderful (2017) –, o disco conta com a colaboração do produtor Shawn Everett (conhecido por seu trabalho com o músico Beck e a banda The War on Drugs) e de Jonathan Rado, metade da dupla indie Foxygen.

Pouco acostumada a colaborações, a banda acionou uma preciosa lista de contatos para determinadas faixas do trabalho. Caution, o single promocional, tem a guitarra de Lindsey Buckinham, do Fleetwood Mac, e Lightning fields ganha muito com a voz da canadense K. D. Lang. Em outros momentos, quem assume a guitarra é Adam Granduciel, do já citado The War on Drugs. A cantora californiana Natalie Mering, que usa o nome artístico Weyes Blood, é a convidada de My god. A música remete ao início da carreira do The Killers, quando as músicas começavam com um instrumental reduzido e ganhavam corpo para, mais tarde, explodir. O refrão traz os bem-vindos backing vocals de Jess Wolfe e Holly Laessig, do grupo de indie pop Lucius. O arranjo barroco lembra a abordagem da banda canadense Arcade Fire.

Embora melodias instrumentais deem uma atmosfera suave a faixas como Dying breed e Running towards a place, elas também diluem o propósito já limitado de Imploding the mirage, porque parecem não pertencer ao universo do disco – e, talvez por isso, possam ser consideradas os destaques (feliz ou infelizmente). The Killers fez mais de 100 shows ao vivo por ano desde 2008. É óbvio que eles escrevem já pensando nesse público. Infelizmente, a fórmula adotada para animar a plateia de um show pode se tornar exaustiva dentro de um disco. Imploding the mirage perde força quando essas sonoridades grandiosas se chocam.

Carregada pelo vocal apaixonado de Brandon Flowers, Lightning fields, por exemplo, é uma aposta certeira para reverberar na multidão em grandes festivais nos quais a banda costumava se apresentar. No álbum, a faixa representa um dos pontos baixos. Ela é procedida por Fire in bone, cuja linearidade soa destoante no trabalho de uma banda que sabe produzir canções sinuosas. Originalmente previsto para maio e adiado em virtude da pandemia do novo coronavírus, Imploding the mirage não prejudica a imagem de sucesso que The Killers construiu desde que emplacou hits como Mr. brightside, When you were young e a infame Human. Ainda assim, o trabalho peca pela falta de personalidade e carece da originalidade que marcou o início da carreira do grupo.

IMPLODING THE MIRAGE – The Killers. Island Records/Universal. Disponível nas plataformas digitais