Cidadania Destaques

Terapia com bichos beneficia crianças autistas em Paraíso

Por Ralph Diniz / Especial

10 de outubro de 2020

Com apoio do Instituto Inclua, casal Rubens Santini e Maíra Cayubi estão à frente do projeto social desde março deste ano. / Foto: Divulgação

S. S. PARAÍSO – Não é de hoje que os cachorros dão provas de companheirismo e amor aos seres humanos, fazendo valer o título de melhor amigo do homem. E em São Sebastião do Paraíso, um trabalho social realizado com cães adestrados tem ajudado diversas crianças autistas a superar suas barreiras. O projeto Bichos Abençoados auxilia crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no aprendizado e desenvolvimento emocional e cognitivo por meio da pet terapia, ou seja, da terapia com animais.

E entre os cachorros do projeto está James, um pastor alemão de quatro anos com o título de “cão terapeuta”, que, entre diversas habilidades, é capaz de identificar e se aproximar de pessoas com depressão e outras doenças psicológicas. Além dos cães, a equipe conta com coelhos, aves, peixes e hamsters em seu trabalho com os assistidos. Rubens Santini Neto, educador físico e especialista em adestramento canino e intervenções assistidas por animais, explicou que o “Bichos Abençoados” foi criado em março deste ano. De acordo com ele, a ideia surgiu após uma conversa com o psicólogo Caio Toledo, responsável pelo Instituto Inclua, uma associação sem fins lucrativos que presta apoio a portadores de necessidades especiais e seus familiares.

A intenção da dupla era levar a pet terapia a instituições como a Apae, o asilo, a Santa Casa e às escolas de São Sebastião do Paraíso. Contudo, devido à pandemia do novo coronavírus, o projeto teve que ser repensado e passou a ser realizado na sede no instituto. Além de Rubens Santini e Caio Toledo, a equipe é composta pela profissional de artes visuais e arte terapia Maíra Cayubi, a psicóloga Amanda Pelúcio e a veterinária Berta Lemos. Atualmente, cinco crianças são assistidas pelo grupo.

Nós utilizamos os animais como coterapeutas em intervenções e terapias assistidas. O objetivo do projeto é, através dessas intervenções, buscar uma melhora na qualidade de vida dos nossos beneficiários e de seus familiares, além da inclusão dessas pessoas junto à sociedade”, explicou Santini.

E a proposta do “Bichos Abençoados” vai ao encontro de uma pesquisa da Universidade de Missouri, nos Estados Unidos, que afirma que conviver com animais de estimação ajuda crianças e adolescentes com autismo a melhorarem a capacidade de se relacionar com outras pessoas. Mãe do Raphael, de 4 anos, a pedagoga Mirian Sandes confirmou na prática o que os estudos apontaram. O filho ingressou no projeto há um mês, e os resultados positivos, segundo ela, já são perceptíveis.

O Raphael tinha muito medo de animais e não se aproximava deles de jeito nenhum. Hoje, ele brinca com os cães e adora alimentar os peixes, os hamsters e dar banho nas calopsitas. O trabalho deles é tão bom que ele nem quer ir embora para casa”. Por essa razão, Mirian conta que a família decidiu que vai adotar um cachorro, que será treinado por Rubens para servir de cão de companhia do garoto.

Sem receber nenhum tipo de suporte do poder público, o “Bichos Abençoados” é financiado, principalmente, pelo casal Rubens e Maíra. Ele trabalha como adestrador e ela, como professora de Artes da rede pública estadual. Ambos também produzem e vendem pingentes de identificação para animais, além de coleiras. Isso, porém, não desanima a equipe, que não tem medido esforços para ajudar as crianças com autismo.

O princípio do nosso projeto é o amor, tanto pelos animais quanto pelas crianças que nós atendemos. É muito gratificante ver os resultados que conquistamos aqui. Vale a pena todo o esforço e o investimento que nós fazemos. É incrível ver os benefícios e os frutos da relação do ser humano com os animais”, concluiu Santini.