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Silva expande-se para lançar ‘Cinco’

Por Julio Maria Especial

16 de dezembro de 2020

Silva lança seu quinto álbum: são 14 canções novas feitas todas com um mesmo sentimento. / Foto: Divulgação

Silva segue seus movimentos sutis mas precisos o suficiente para não ficar no mesmo lugar, mesmo quando esse lugar parecia tão aprazível. Antes que tudo começasse a ganhar os vultos que ganharam, seu nome arrebanhou alguns milhares de seguidores em 2012 por conta de um EP de seis canções feito em casa. Mesmo a imprensa de papel o descobriu e Silva, eletrônico e autossuficiente, partiu para um álbum em 2012, Claridão. Era o tempo de olhar para os lados e se guiar por aquilo que parecia mais seguro.

Eu sempre fui muito de querer saber o que os outros faziam, queria saber qual era a banda do momento e me guiar por isso. Minha paixão por música me levava a querer ouvir de tudo, estar antenado.

Ao lançar seu 5º álbum de músicas inéditas, tirando outros cinco captados em turnês, Silva é fruto de uma honestidade sem planejamentos e uma sonoridade sem egos que o levou a furar a bolha. “Eu nunca pensei em fazer shows”, conta ele, aos 32 anos.

E o álbum que sai agora, chamado Cinco, é outro passo nesse caminho que o leva para cada vez mais longe de um segmento fechado. Sem bandeiras hasteadas muito alto, ele faz da canção um norte e da leveza quase que uma causa às avessas. Sua voz que nunca grita talvez apareça em um plano ainda mais à frente do que nos últimos trabalhos e sua composição seria qualquer coisa como uma pós-bossa-nova-pós-pandêmica, se pudesse ser classificada.

Uma experiência bem pessoal o fez tomar o rumo das brasilidades que vieram pelos anos até chegar a Cinco.

Quando fui participar do Red Bull Station, eu, como o único brasileiro no evento, fui abordado por um rapaz da Alemanha que disse algo que eu não esperava: ‘Cara, posso te falar uma coisa? Você está aqui por causa de uma de suas músicas que tem um intervalo de sétima maior, uma harmonia que a deixa bem brasileira’. Fiquei chocado e parei para pensar.

Cinco é assim, um álbum “humano”. Apesar de ele mesmo ter gravado quase todos os sons, não há resquícios de máquinas. Há uma força no jeito de pensar canções da Jovem Guarda, mesmo quando elas partem para levadas que poderiam sugerir outras influências, como o ska Facinho. Essa música tem a colaboração de Anitta, que canta nas regiões mais agudas sem fazer esforço. Aliás, uma região que Anitta poderia usar mais, pelo brilho que sua voz conseguiu ali.

São 14 canções novas feitas todas com um mesmo sentimento, uma mesma intenção. João Donato leva o álbum para a bossa definitiva quando aparece com seu piano em Quem Disse. “Essa foi a única gravada com todos no estúdio por ter sido antes da pandemia.” As ambiências seguem mesmo quando o disco poderia cair no samba com Má Situação, uma sugestão de partido alto, gravada e orquestrada por Pretinho da Serrinha, que tocou cuíca, cavaquinho, violão e fez um comentário interessante.

“Você é da bossa nova mesmo, não é do samba”, disse, rindo das divisões puxadas para a calmaria. Silva conta que não teve mesmo uma vivência no samba, até pela religiosidade vivida dentro de sua casa. “Com pais crentes, nenhuma dessas músicas com sonoridades afro tocavam por lá. E eu sou um apaixonado por João Gilberto.