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Senar promove curso de doces para manter tradição no Carmo

10 de junho de 2021

:/ Divulgação

C.R. CLARO – O Sistema Faemg/Senar/Inaes realizou em Carmo do Rio Claro, no final de maio, o curso de doces artesanais. Tradicionalmente conhecida pelos seus famosos doces cristalizados, a cidade, vê aos poucos, o número de doceiras diminuir gradativamente e muitas deixarem de exercer a atividade. O curso tem como proposta além do resgate cultural das tradições, formar mão de obra ou inserir novas pessoas na fabricação.

A instrutora Luana Dias de Paula observou, durante a capacitação, o interesse pelo resgate cultural por parte da aluna Clariane Vilela Brandão, 24. Neta de produtores, mas residente em Belo Horizonte, ela é recém-formada em gastronomia e apaixonada pelas tradições da culinária mineira. Disposta a aprender, ela destaca os cursos e afirma que aprendeu muito mais em dois dias do que em seis meses na graduação.

“Eu herdei o gosto pela gastronomia dos meus antepassados. O livro de receitas da minha bisavó, de 1942, ficou comigo e eu tenho como propósito preservar a história dessa cultura alimentar e mostrar essa riqueza para o Brasil todo. Os doces cristalizados do Carmo são uma joia e o curso do Senar é incrível”, afirmou. Além do curso de doces, Clariane participou também do curso produção artesanal de alimentos.

Tradição

Na capacitação, a instrutora promoveu o resgate cultural do “torrone”, um doce tradicional da cidade e que tem uma versão bem diferenciada dos demais encontrados na região. Resultado da mistura do leite, mel, cacau e amendoim, é uma iguaria que agrada a maioria dos apaixonados por doces. De origem Italiana, otorrone ganhou várias versões pelo mundo.

A receita utilizada no curso foi levada por Clariane, que já é uma pesquisadora de receitas antigas e que surpreendeu com as técnicas destacadas. “Não podemos deixar essa cultura morrer. Temos um impasse com as doceiras antigas que já se foram e outras que saíram da atividade, sem passar as receitas adotadas. O Senar tem esse trabalho de resgate cultural que é fantástico. Fazemos caderno de receitas nos cursos e estimulamos as mãesa levarem para as filhas”, disse Luana. No curso as participantes aprenderam as técnicas para a produção dos doces cristalizados, doces em compota, doce de massa e geleias.

“Os doces mineiros são sem dúvida um diferencial na gastronomia nacional e internacional. Resgatar as receitas e realizar os treinamentos com novas gerações é um compromisso do Sistema Faemb/Senar/Inaes. Os doces cristalizados têm importância econômica e cultural para a região de Carmo do Rio Claro. Eu mesma, sempre que passo por lá, paro para comprar estas iguarias. É muito bom ver os resultados dos cursos gerando novas oportunidades, cativando profissionais e mantendo viva a doce lembrança de nossos antepassados”, destacou Liziana Maria Rodrigues, Gerente de Formação Profissional Rural e Promoção Rural.

Nova Doceira

“Eu fiquei muito empolgada quando vi que teríamos o curso de doces cristalizados no Carmo. Eu comecei com docinhos para festa que foi o primeiro curso do Senar e que meu deu coragem para entrar no mercado. Eu queria aprender os doces cristalizados porque tem uma durabilidade maior. Sem festa eu não consigo vender docinhos e não trabalhei nesse período da pandemia”, disse Fabiana Figueiredo Mota Ribeiro.

Apostando na durabilidade maior e na tradição do município para os doces de frutas cristalizados, Fabiana disse que começaria a produzir de imediato, mas que está adquirindo equipamentos necessários para o início da atividade. Ela já trabalha na montagem da cozinha e na construção de uma loja, onde vai comercializar os doces cristalizados, docinhos e quitandas.

Para Luana, a cultura gastronômica em Carmo do Rio Claro é muito forte, não somente no segmento dos doces, mas também no de quitandas, o que segundo a instrutora tem levado a resgate de receitas tradicionais de bolachas, pães, bolos, broas, pão de queijo.