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Saudosismo Gostoso – Parte Final

15 de julho de 2020

Com chuva ou frio, barro ou poeira, todas as segundas-feiras os Vicentinos saíam da porta da igreja Matriz para mais um terço na casa de um Confrade. Quando o terço se realizava no bairro São Francisco, estavam lá os saudosos Confrades: Vicente Pereira dos Reis, Dr. José Hernani da Silveira, Antônio Caetano (Cuecão), Antonino Acácio Abreu (Sô Nego), Joaquim Risadinha, Otto Andrade, José Gutemberg e seu filho Zezinho, Geraldo Daniel, Waldemar de Melo Horta, que foi o primeiro Vicentino nomeado a fazer uma sindicância na casa de um socorrido, quando da fundação e instalação da primeira Conferência de São Vicente de Paulo em nossa cidade de Passos, em 11 de dezembro 1932.

Antes de iniciar a caminhada, batiam um papo com os taxistas Mané Tetéa, Zé Muzzetti, Dedé, Tonico, Durval Leite, Cristiano, “Balaúcho” e Antônio José que, ao ver a imagem de São Vicente no oratório, pegava a imagem, entrava com ela no seu carro e dizia: “Eu e meu carro estamos abençoados”!

E os Confrades seguiam descendo pela Rua Jaime Gomes que, num tempo mais antigo, já foi chamada de “Beco dos Aflitos”. Já engrossando a fileira desses Homens da Caridade, também estavam os saudosos Confrades Jair Curi, Augusto Garlatti, os irmãos Carmelo e Carlindo Ferreira, Notinho, Zezinho Assad, Alberto Damasceno, José Barreto, João Bebem, Tião Faria, Olinto Barbeiro, José Silvestre, Sabino, João Mendonça…

Na esquina via-se o escrito “Casa Alux“. Mais abaixo, na parede da casa dos irmãos Chico, Dante e Salvador, via-se “Tinturaria Cundari.” Passava-se pela ponte perto da casa do Teodoro Negrão de onde se via o novo e bonito Mercadão e o Campo de Futebol da meninada, local onde já foi uma “antiga rodoviária” e restaurante popular…

Na esquina do Zé Corrêa, uma roda de senhores num papo gostoso sem TV nem internet: Militão, Antônio Quebra-Galho, Cassimiro, Joaquim da Clementina e o terror da meninada, Chiquinho Tomaz que trazia sempre no bolso do paletó a latinha de ferver água e a seringa, pronto a ser chamado para uma doída injeção no bumbum de alguma criança! Ao me ver sempre falava: “Menino chique, menino ativo”! Motivo: é que certa vez consegui tirar de dentro de um bueiro, com a goma de um chiclete na ponta de sua bengala, sua famosa binga (isqueiro).

E os Confrades, caminhando, chegavam ao grande e vazio largo da “Skandeias”, hoje, está lá a Escola Starling Soares. Já ficando para trás os estabelecimentos conhecidos daquela época: o bar do Tomaizinho, a venda do França, a do João Alves de Souza, a fábrica de doces do Zé Cândido, a serraria do Álvaro Lopes, o bar do Wilson Calandra, o Salão de Barbeiro do Benzica, o açougue do Gaspar do Girú, as vendas do Dodô, Antônio Turco e João Dunga, a sapataria do Alcides Belfort e outros.

Quase no fim da Rua Tupi, onde seria rezado o terço, olhando à esquerda via-se o grande e vazio morro e no topo a pequena primeira Capela de São Francisco. Um pequeno resumo da Capelinha de São Francisco: No dia 11 de dezembro de 1911 foi formada uma comissão para a coleta de recursos para construção da capela, tendo como Presidente Antonio Teixeira de Carvalho e vários auxiliares. No dia 26 de agosto de 1912 foi lançada a pedra fundamental e a bênção pelo monsenhor João Pedro Ferreira Lopes.

A construção começou em seguida, mas em ritmo lento, terminando por volta dos anos de 1921. Depois de passar por várias reformas e aumento da Capela, em 1995 foi criado um novo projeto, pelo arquiteto Cesar Tadeu Elias, e em 1996, foi iniciada a construção da nova igreja. No dia 4 de outubro de 1998, dia dedicado a São Francisco, aconteceu sua reinauguração, com a presença de centenas de pessoas, várias pastorais, movimentos de setores, do Bispo Dom José Geraldo do Vale e Padre Luiz Gonzaga Lemos, para as celebrações da Santa Missa nessa nova igreja, maior, com mais conforto e espaço.

Enfim, rezando o terço a toda semana, os Vicentinos percorriam o centro de nossa Passos, os bairros existentes na época: Cangeranus, Carmelo, São Benedito, Bela Vista, Chapadas, Exposição e Nossa Senhora das Graças, além dos bairros Coimbras, Penha e São Francisco, já citados nos três textos “Saudosismo Gostoso”, e assim tentei buscar na memória nomes de saudosos e admiráveis Homens da Caridade, com os quais convivi nesses meus sessenta anos de caminhada Vicentina!
É o tempo passando e a gente “Memoriando”!