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Saudosismo Gostoso! Parte 2

8 de julho de 2020

Memoriar lugares e sentimentos é curtir a aventura das palavras e imagens que brotam na imaginação livre, é viajar pelo tempo! Lá pelo fim dos 50 e início dos anos 60, acompanhando os Vicentinos no tradicional terço daquela época de todas as segundas-feiras, como citei no texto anterior, percorri os trajetos que se fazia pelos muitos bairros de nossa cidade.

Quando o terço era realizado no setor do bairro da Penha, os Vicentinos reuniam – se na Praça da Matriz em frente à Igreja. E pontualmente no dia e hora marcados estavam lá os saudosos Confrades: José de Paulo de Souza, os irmãos João Serafim e Jeso Abreu, Sebastião Costa e Silva, Jose Quintino de castro, Sebastião Pinto Coelho, Diogênes Parreira, Salim Salomão, Jose Silvério Rosa, Antonio Bacil, José Alves de Nogueira, José de Arimatéia, Chico Ribeirom entre outros.

Desciam pela Rua Olegário Maciel onde, na esquina da praça havia o Bar Toledos, que depois virou Bar Central, e do outro lado no bonito sobrado o Empório “Bom Gosto.” Descendo, a Farmácia do Osvaldo Negrão, Mercantil, a venda do Gazinho, na esquina o Hotel São Geraldo, ponto de moradores ali esperar a Jardineira para o retorno às roças. Ali também havia as lojas de vendas de panos do Abrão e do Raf Aun. Entrando pela Praça Blandina de Andrade tinha a “Casa Brasil” de Donato Picirillo, depois esse local passou a ser o Armazém dos Turquinhos, a tradicional relojoaria do Aníbal, hoje do filho Toninho, o bonito prédio do Passos Hotel e a máquina de beneficiar arroz do Alcione. Passávamos pela ponte de madeira (hoje a rotatória) que fazia a travessia do córrego ligando a praça com a Rua da Praia, à esquerda ficava o velho casarão do Santiago com sua venda, à direita o sobrado do Neca Lúcio com a data na fachada: 1918.

Um pouco acima as vendas do Mário Jota, do Osvaldo Reis, e o casarão onde morava o José Valadão, e ali sua Sapataria. O grande Pontilhão que me traz lembranças, o trem fumegando passando sobre ele, e a cidade toda, ouvindo aquele forte e bonito apito, sabia se estava partindo ou voltando! Na Praça Trindade, a Ferraria do Sr. Duca, o Grupo Escolar Jaime Gomes (hoje Escola Amélia Jabace) que deu lugar ao Santuário de Nossa Senhora da Penha, em sua frente o buracão tapado em 1954. E assim, num papo saudável, os Vicentinos subiam pela Rua Brasil ainda sem calçamento.

Quantos estabelecimentos comerciais eu conheci no bairro da Penha em minha infância que já não mais existem, mas ainda estão na minha memória e certamente na memória de muitos: A venda do Zequinha Santiago, Jeremias Bueno e sua máquina de beneficiar arroz, Mustafé, pai do Zé das Pronúncias e seu açougue, a Alfaiataria do Afonso ”papudo”, a escola particular da Santa, filha da Zilica por onde passou muita gente do bairro.

Entrando pela Avenida da Penha, tinha o grande largo, no seu centro o Cruzeiro, ali todos faziam o sinal da cruz, e seguíamos com destino onde seria rezado o terço, passando pela pequena venda de Dona Benedita, esposa do Rachid turco, pelo empório e açougue do Geraldinho Pereira, o bar do Zé Carneiro, a venda do Celino Leite, o salão de barbeiro do Adolfo Felix, deixando para trás, lá no início da avenida, o Bar e Padaria do Custódio, o Armazém e Padaria do Joaquim Quita e Marvina e os Salões de Barbeiro de Papai e do Nonó.

E assim chegávamos à casa que estava a Imagem de São Vicente para a tradicional reza do terço, já perto da Capela de Nossa Senhora da Penha. Fiz aqui um resumo da construção da Capela: A origem de sua construção é um tanto incerta. Sabe-se por relatos da época que a igreja foi edificada pelo cidadão Antônio de Faria Loulou, em virtude de ter alcançado uma graça ao invocar a interseção da Virgem da Penha. Loulou, com seu trabalho, conseguiu o terreno doado pelos irmãos: Antônio e José Caetano Machado, e com a ajuda de muitas pessoas se envolveram em busca de recursos para sua construção que aconteceu naqueles idos anos entre 1863 e 1864, quando o Padre João da Fonseca e Melo benzeu e inaugurou a Capela de Nossa Senhora da Penha.

O fato é que depois de tanto sacrifício e perseverança, Antônio Loulou conseguiu seu triunfo: o término da Igreja e o cumprimento da promessa ao alcançar a graça tão almejada. Hoje, Patrimônio Cultural do nosso povo, a Igrejinha Centenária é marca registrada do bairro da Penha e símbolo da cidade de Passos! Até quarta-feira que vem com mais lembranças dos Vicentinos percorrendo o setor do bairro de São Francisco! É o tempo passando e a gente “Memoriando”!

E você, leitor, caso queira aproveitar o período em casa para desfrutar de boas leituras e muitas lembranças, ainda tenho alguns exemplares dos livros de minha autoria, Memoriando, Proseando e Férias na Roça. Contato 35 3521 4325.