Destaques Dia a Dia

Saudosismo Gostoso! Parte 1

1 de julho de 2020

Lembrança é aquilo que a gente guarda na memória, que comprova um fato já passado e vivido em um período de nossa vida.

Dezenas de Confrades, sempre às 19 horas, se reuniam na praça em frente á Igreja Matriz para juntos saírem para rezar o tradicional terço da segunda – feira, terço este que percorria toda a cidade, de casa em casa de Vicentinos, e que era rezado pontualmente às 20 horas. Saíam da porta da Igreja com antecedência para ao longo do caminho ir conversando sobre vários assuntos referentes à Sociedade São Vicente de Paulo (SSVP), e fatos que aconteciam na cidade. Mas antes de saírem, conversavam com Monsenhor Messias, falavam a ele as boas e as dificuldades que a SSVP enfrentava no dia a dia. E eu, com meus 15 anos acompanhava aqueles saudosos Confrades ouvindo suas boas prosas!

E lá estavam: João de Melo Freire, Homero Gomes, Waldomiro Caetano, João Coutinho, Ângelo Jabace, Tiloca Grillo, Pedro Bernardes Coelho, José e seu pai José Augusto de Queiroz, José Pedro de Oliveira, Persante Baldoni, Quinzinho Alfaiate, Arnulfo Nogueira de Figueiredo, Noé André de Oliveira… Quando o terço era na região do bairro Coimbras, descíamos pela Praça onde se via o jardim todo florido, com pequenas árvores recortadas num bonito visual. Pela Rua Santo Antônio, na esquina do Passos Clube, o velho casarão do Dragão dos Móveis, no porão a Sapataria do Sr. Vicente Pereira Reis, Escritório do João Granero, Alfaiataria Mendonça, o Gráfico São José, Bazar Americano, e na esquina o Armazém do Tenentinho, e o consultório dentário do Dr Dionísio.

Ainda de pé, a bonita Igreja de Santo Antônio, (demolida no ano de 1975) e via – se na porta da Casa Paroquial Monsenhor Matias com sua batina preta, chapéu aba pequena, preparando-se para a sua volta de todas as noites ao redor da praça. Todos o cumprimentavam e seguiam descendo! Ao lado da Casa Paroquial, víamos a Farmácia Vasconcelos com seu bonito desenho na parede de um cálice e uma cobra. Um pouco abaixo, o Salão Ideal do Juquinha, e de frente, a casa do José Boticário. Na esquina a Alfaiataria Simone e ao lado a tinturaria do também leiloeiro Reinado.

Descendo, o consultório do Dr. José Lemos, a gráfica do José Magalhães, o atelier da Eva Maia, açougue do Benício, uma leiteria que não recordo o nome, e o mercadinho de verdura do Toinzinho. Quase na esquina de baixo, a venda do José Calixto, e seguindo à esquerda a casa de Dona Elza de Barros, que quando estava no alpendre cumprimentava os Vicentinos com “Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo” e num coro todos respondiam: “Para sempre seja louvado”!

Atravessavam uma pequena ponte sobre o córrego que ainda não tinha sido canalizado, subiam até a grande ponte de madeira (topogâ) pela longa escadaria de 36 degraus, com um degrau mais largo para descanso de 12 em 12 degraus. Cada Vicentino no seu íntimo rezava para os doentes internados na Santa Casa, evitava passar pela cava (hoje a Câmara Municipal) que era um atalho, muito escuro, ruas de terra batida, com valetas escavadas pelas enxurradas ou devido às boiadas que passavam por ali, preferindo seguir pelo posto Tupi, estando sempre na frente de sua casa Otto Krakauer com seus cachorros Dálmatas. Na esquina, a oficina do Mané Catanha, e no final da avenida Progresso (hoje Av. Otto Krakauer) vizinhando com os barracões da Casemg, a fábrica de manteiga Aviação, avistando dali todo o movimento na Estação Mogiana.

Já chegando ao destino do terço, via – se o largo São José com poucas casas a sua volta, a sua bonita Igreja de Nossa Senhora de Fátima, a antiga. Sua construção: Em outubro de 1955, o Confrade Jocílio Piantino, em cumprimento a uma promessa, juntamente com alguns amigos e moradores do bairro Coimbras, começou uma grande campanha para a construção da Igreja. Finalmente em 09 de março de 1958, aconteceu a benção litúrgica e inauguração da Igreja de Nossa Senhora de Fátima. Às 8:30 horas, com o sino repicando festivamente, com a presença de numerosos católicos e autoridades convidados, foi celebrada a primeira missa pelo Bispo Diocesano D.Inácio Dal Monte juntamente com Monsenhor José Maria Matias.

Continuaremos com as lembranças… e até quarta – feira que vem com outros saudosos Vicentinos percorrendo o setor do bairro da Penha! É o tempo passando e a gente “Memoriando”!

(E se você, leitor, quiser aproveitar o período “em casa” para desfrutar de boas leituras e grandes lembranças, ainda tenho alguns exemplares disponíveis de meus livros Memoriando, Proseando e Férias na Roça! Contato : 35 3521 4325)