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Salve-se quem puder…

4 de junho de 2020

Eu achava que a política era a segunda profissão mais antiga. Hoje vejo que ela se parece muito com a primeira” – Ronald Reagan

Certo dia, conversando com meu amigo Ronilton Cintra, Prefeito Municipal de Itaú de Minas, ele me fez uma advertência sobre as críticas que sempre faço quanto ao desempenho de prefeitos da região, em especial o de Passos, dizendo que era preciso ter mais compreensão com os gestores, que cumprem um mandato no qual os recursos estão cada dia mais minguados e, naquela época, o governador petista estava confiscando os repasses dos municípios, em uma manobra temerária e irresponsável.

Hoje, vejo que ele tinha razão, ainda mais agora que a pandemia do covid19, justamente quando os prefeitos começavam a receber em gotas os recursos que Pimentel açambarcou, novamente provoca outra derrocada das receitas e ainda apontam uma recessão que perdurará por muito tempo.

Sinceramente, mesmo existindo equívocos praticados por muitos prefeitos, em especial no que se refere aos custos de folha de pagamentos, inclusive terceirizada, nomear neófitos, muitas vezes incompetentes, para as Secretarias Municipais e muitas outras mazelas, sinto-me obrigado, por dever de justiça, a amenizar o juízo que faço da atuação das prefeituras neste mandato que se encerra, bem como o de seus desventurados prefeitos. Inegavelmente, o destino foi muito cruel com esta leva de prefeitos e como consequência terão dificuldades ampliadas de se reelegerem, porque o exercício do voto nunca é racional, mas sim imediatista e emocional.

Ao mesmo tempo em que o eleitorado é, por vezes, cruel com os gestores mais próximos, outro tanto não praticam nenhum rigor para eleger os parlamentos, consagrando verdadeiros impostores, em sua maioria, e com isso eternizando a politicalha reinante, colocando os executivos inteiramente a mercê da jogatina politica para lhes garantir a governabilidade.

Toda essa impostura reinante de forma geral nos grupos políticos “legitimamente” eleitos e que permeia os governos em busca de cargos e outras vantagens acaba sendo o verdadeiro “sistema” da política brasileira, indiretamente pautando as ações do Poder Executivo em todas as suas instâncias.

O que acontece hoje com Bolsonaro é exatamente isto: os desatinos de diversos segmentos políticos, talvez na ânsia de inviabilizar o governo e apoiados pela extrema imprensa, estão promovendo um ataque sistemático de tamanha monta que o Presidente pode estar sem sustentação que lhe garanta o exercício do Poder e por instinto de sobrevivência se aproxima do Centrão, no embalo do “salve-se quem puder”, que qualquer um praticaria.

Não conheço em meus 61 anos, momentos de tanta guerrilha escamoteada com bonitas vestes e discursos falseados, no bojo da qual comunistas adeptos de tiranias falam em democracia, conhecidos personagens que levaram o país à banca rota dão lições de governança e colecionadores de processos judiciais pesados cobram atitudes judiciárias para que se mostre um exame de saúde, cuja intimidade da informação é constitucional. Abortam o direito de nomeação pelo Presidente para cargos de recrutamento amplo, supondo um crime que ainda não aconteceu, e até a apreensão, felizmente negada, do celular do Presidente.

Na semana passada, fatos ocorridos mais uma vez mostraram a calamidade política que enfrentamos: primeiro, uma matéria da revista Fórum, conhecida por receber polpudas verbas publicitárias do ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, cita que uma ignota antropóloga que acusou o presidente de usar um símbolo nazista por tomar um copo de leite em uma “live”, em apoio a um evento lançado pela Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite). Inacreditável, perderam completamente o senso de suas sandices que não colam mais!

Também Bolsonaro não passa ileso: com a sutileza de um elefante em loja de louça, acena com vaga no STF para o PGR Augusto Aras, logo após um parecer favorável ao presidente. Será que o estulto improviso do Presidente não vai lhe ensinar que “boca fechada não entra mosquito”?
E como não poderia deixar de ser, encerro com o ex-líder popular Luís da Silva, que, após se trair com as palavras confessando a sua felicidade com a pandemia no país, caprichou mais ainda proibindo os seus capachos do PT de apoiar investigações de fake news e, pasmem, recomendou que o PT também não deve se aliar ao movimento pela democracia em curso pelo país.

Particularmente, eu também não recomendo um movimento eivado de hipocrisia, já que seus membros, apoiadores do tirano ditador Nicolas Maduro, não se coram em defender a democracia. Mas o que se depreende deste fato é que Luís da Silva confessou que as decisões do partido do qual é seu caudilho, não participa de nada por ideologia ou pelo bem social, mas sim pela conveniência para engendrar seus planos em abocanhar de novo o poder.

Enquanto nossos políticos desprezam nossa mínima capacidade intelectual, vamos temperando, no confinamento de nossos lares, nosso misto de tristeza, revolta e indignação com este miserável cenário que nos é apresentado.

GILBERTO BATISTA DE ALMEIDA é engenheiro eletricista e ex-político