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Safra de grãos impulsiona preço do gado de corte

Nathália Araújo / Redação

12 de junho de 2020

Foto: Divulgação

PASSOS – Junho é o mês que marca a nova safra do gado de corte na região, e os valores têm agradado os pecuaristas nos últimos dias, já que os dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) apontam que a cotação da arroba do boi está em R$206,40. A alta se dá por conta da mudança na alimentação dos animais que passam a receber ração feita de soja e milho, já que o fim do período de chuva deixa os pastos secos.

Embora seja uma época de valorização da carne bovina, os investimentos também aumentaram, visto que os principais grãos que compõem o trato dos bovinos também tiveram reajuste na saca de 60 quilos. O Cepea mostrou que a cotação do milho encerra a semana custando R$46, enquanto a soja fica em R$103,17. Outra razão que eleva os preços é a escassez mundial de bois prontos para abate, considerando que os pecuaristas ficaram receosos ao investir no setor em meio a atual pandemia causada pelo novo coronavírus.

Elder Maia dos Reis, novo presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Passos (Sinrural), diz que o valor se trata apenas de um reajuste que precisava acontecer. “Já tem muito tempo que a arroba estava defasada e acompanhamos preços ruins. Agora tivemos apenas uma questão de readequação e, a nossa expectativa é que melhore ainda mais, porque o consumo lá fora é grande, o movimento do mercado está bom e precisamos aproveitar essas oportunidades”, explicou.

O pecuarista Vinícius Lemos Maia atua no setor há cerca de 10 anos e, além da criação dos animais de corte, possui uma empresa que os fornecem para confinamentos e frigoríficos não só de Minas Gerais, como também de outros estados. O empresário conta que apesar do Brasil ser o maior exportador de carne bovina do mundo, também é o país que apresenta os menores preços e, ainda, cerca de 70% do produto fica no mercado interno.

Vinícius também destaca que espera bons rendimentos e que, até o fim do mês, a cotação da arroba continue em alta. “As mercadorias estão em falta e é difícil prever o quanto a carne bovina ainda vai subir, mas acredito que não fique a arroba menos de R$210. Tecnicamente, melhoramos a cada dia e criamos bois mais pesados, então o produto brasileiro é acessível para quase todos os países. Neste período, o índice de exportação é alto e os chineses estão entre os principais clientes porque o local está sem proteínas disponíveis para compra”, esclareceu o pecuarista.

Segundo a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), que somou os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), no mês de maio o país exportou mais de 180 mil toneladas de carne bovina in natura ou processada, enquanto no ano passado o total ficou em pouco mais de 150 mil. Neste mês, apenas a China recebeu quase 120 mil toneladas do produto brasileiro, sendo 21% a mais em relação ao mesmo período de 2019.