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Safra de grãos cai no 1º trimestre e área de soja avança na região

Por Ézio Santos/ Especial

19 de abril de 2021

De acordo com levantamento da Emater, o produção do milho foi de 36 mil e 181 toneladas a menos que ano passado. / Foto: Divulgação

PASSOS – A safra de grãos no primeiro trimestre de 2021 nos municípios sob jurisdição da unidade regional da Emater-MG, com sede em Passos, registrou queda de 4,78% em relação ao mesmo período de 2020. Por outro lado, a área plantada teve aumento de 6,45%.

A soja continua a avançar na região e a área plantada passou de 53,7 mil para 69,7 mil hectares, o que representa o dobro da área cultivada com milho, que caiu de 42,1 mil para 36,9 mil hectares no mesmo período. Para o coordenador do órgão em Passos, Edson Gazeta, de 57 anos, a produção de grãos está dentro da normalidade.

Por hora, os números de 2021 são estimativas, portanto pode melhorar com o passar dos próximos meses. Agora, um dos fatores que pode influenciar na colheita é a questão climática, que varia de ano para ano”, comentou.

As principais culturas que entraram na estatística são feijão, que ainda não teve a segunda colheita, milho, incluindo a safrinha, e a soja. De acordo com levantamento da Emater, o produção do milho foi de 36 mil e 181 toneladas a menos que ano passado.

Já a soja, aumentou 27 mil e 73 toneladas em comparação aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2020. No primeiro trimestre deste ano, a produção e área plantada do café tipo arábica irrigado ficaram acima em relação ao mesmo período de 2020, enquanto que o café arábica de sequeiro teve queda geral.


Estiagem afeta produção, afirma presidente do SinRural

PASSOS – O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Passos (SinRural), Darlan Esper Kallas, afirma que o motivo da queda na produção de grãos na região foi a estiagem ocorrida no ano passado e nos últimos 40 dias. “Na nossa região, certamente não haverá recorde de produção. Nossa segunda safra, também chamada safrinha, está sofrendo por falta de chuvas e não estamos vendo a situação com muito otimismo”, disse.

De acordo com ele, em 2021 a área plantada foi maior que no ano passado, mas a falta de chuva atrapalhou a colheita.“Mesmo assim, com o dólar em alta, nossos produtos ficam mais valorizados. Ano passado também tivemos geada que prejudicou muito o café, contudo, percebo que estamos caminhando para uma estabilidade na região”, afirma.

Segundo Darlan, o aumento na área plantada foi de cerca de 20%.

Isso é muito bom, houve um plantio maior e a valorização do produto tanto no mercado interno quanto externo, além de novas tecnologias, sementes adequadas ao nosso clima e, claro, a disposição do produtor. No entanto, podemos considerar que essa safra será normal. O clima influencia muito”, disse.

O empresário e agricultor Marco Andrade Lemos, que atua no segmento de armazenagem e comercialização de grãos, disse que os produtos, neste ano, têm sido negociados com preço melhor.

Ano passado, grande parte dos agricultores comercializou os grãos a um preço bem menor do que está sendo vendido hoje. A saca da soja, que estava entre R$80, R$100, agora está em torno de R$160. Existe ainda uma ressaca muito grande para a fixação dos preços, contudo, apesar do valor estar fechado melhor, os custos de produção já subiram mais do que essa valorização”. afirma.

De acordo com Lemos, a dificuldade é que as cadeias de grãos como milho e soja refletem em outros produtos.

Principalmente carne e ovos, onde é a base da alimentação de bovinos, suínos e para criação de frangos. Ou seja, poucos agricultores estão podendo usufruir por conta dos preços afetarem negativamente nas carnes. Quem trabalha como pecuarista, por exemplo, está no vermelho e a população também tem pago mais caro pelos produtos”, explicou.

O agricultor José Messias de Freitas, que atua há 48 anos no setor, afirma ter tido uma leve queda na produtividade.

Ano passado colhi 74 sacas por hectare, este ano caiu para 71 sacas. Precisamos das chuvas. Se ainda chover, acho que a safra de milho pode ficar em 70 sacas por hectare, caso não chova, vamos colher cerca de 50% do esperado. Vamos aguardar”, disse.

Segundo ele, que atua há quase cinco décadas como agricultor, o que mudou foi em relação à exportação, que não havia com tanta força.

A exportação mudou muito nossa vida. Antes, plantávamos só milho e feijão e não era tão bom quanto agora, com a soja, que hoje, inclusive, está sendo negociada há R$155 a saca e a previsão é de que, mais no fim do ano, o preço suba ainda mais, devendo passar dos R$180. Esse valor é mais que o dobro do negociado no ano passado, quando o grão foi vendido há R$80”, disse.