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Saca de café chega a R$569

Por Nathália Araújo / Redação

6 de agosto de 2020

O casal ajuizou agravo no Tribunal, pleiteando o direito de acompanhar a colheita. / Foto: Marcelo Camargo/ABr.

PASSOS – A época marcada pelo trabalho nas lavouras de café já chega à reta final para muitos produtores que atuam na região do Sudoeste mineiro e os profissionais estão empolgados com os ajustes no preço da saca de 60 quilos do grão tipo arábica, uma vez que a valorização foi de cerca de 10% na última semana. Na quarta-feira, 5, o produto foi avaliado em R$ 569,74 pelo Centro de Comércio de Café do Estado de Minas Gerais (CCC-MG).

A alta do dólar é um fator que tem refletido de forma positiva para os cafeicultores, embora a próxima safra possa ser prejudicada por conta das condições climáticas, já que as temperaturas apresentaram queda brusca no início da colheita, tempo em que os agricultores começam a preparar o solo e as árvores para o próximo ano. Apesar de haver certa preocupação, o Sindicato dos Produtores Rurais de Passos (SinRural) informou que, neste ano, o desenvolvimento das lavouras foi positivo e as chuvas ocorreram em favor da produção.

Para João Batista Lemos, produtor de café há mais de 40 anos, à medida que os grãos são colhidos, é necessário cuidar da lavoura para garantir quantidade e qualidade na próxima safra.

É preciso ter certos cuidados com insumos, implementos e maquinário, e todo esse investimento precisa refletir na atualização dos custos. Alguns já terminaram de colher, outros estão chegando ao fim, mas é essencial que a mercadoria seja entregue na trava estabelecida, e isso é um jogo de inteligência”, explicou.

Leonardo Carvalho de França está neste mercado há 25 anos e espera que a cotação se mantenha estabilizada para garantir os lucros.

Hoje tenho 35 hectares de plantação e pretendo aumentar, mas este ano o investimento em mão de obra tem sido alto, por conta da pandemia do novo coronavírus. Metade da minha safra já foi vendida, mas a expectativa é de que a saca continue acima de R$ 500 para não ficarmos no negativo”, calculou o produtor.

O engenheiro agrônomo Marcos Siqueira revelou que planta café há pouco tempo, mas trabalha com o grão há cerca de 30 anos e também aguarda bons resultados.

Ainda estou com a quinta lavoura formada e não tenho reclamações a fazer, considerando que vejo que o café possui uma liquidez muito interessante, e o tratamento adequado pode garantir um bom cultivo, apesar de possíveis contratempos. Desta vez, temos fartura na lavoura e esperamos que os valores sejam conservados. Para os próximos anos, a intenção é multiplicar as plantações”, disse o cafeicultor.