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Saae registra aumento de inadimplentes durante a pandemia

25 de abril de 2020

PASSOS – A maioria dos setores da economia nacional tem sido atingida pelo impacto da pandemia do coronavírus. Precisamente em relação à inadimplência nas companhias de saneamento básico do país há registro substancial na queda de pagamento das faturas mensais, bem como na arrecadação das autarquias municipais que oferecem os serviços de abastecimento de água potável, coleta e tratamento de esgoto sanitário.
Em Passos, o diretor geral do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), Pedro Teixeira, revelou que se comparado os primeiros meses de 2019 com 2020 o pagamento das contas caiu consideravelmente. “Nesse período ano passado, a inadimplência girava em torno de 10% a 11%. Agora, principalmente a partir do início da crise causada pela covid-19, os débitos em relação aos serviços de fornecimento de água e coleta de esgoto prestados pela autarquia aumentaram consideravelmente, elevando o índice para 14% e consequentemente a arrecadação também caiu”, afirmou.
“A situação tem se agravado mais em razão da decisão e recomendação do Ministério Público Federal que vem sendo aplicada há algum tempo por iniciativa nossa, de não permitir o corte na distribuição de água de nenhum usuário do Saae no início do período da pandemia por 30 dias, estendido este prazo de mais um mês, e que deve ser finalizado no final de maio, caso o comércio volte a atender como era antes da crise. Outro detalhe que está impactando na inadimplência é o fato da autarquia não cobrar mais pela taxa religação da rede obedecendo lei municipal. Isso porque o proprietário de imóvel, principalmente os desabitados, sabem que se cortar o abastecimento não vai pagar nada para voltar a ter o benefício de volta”, esclareceu o diretor.

Consumo

Outro Sobre o consumo em residências durante esse período de reclusão social, Pedro afirma que houve um aumento considerável. “É natural que isso aconteça. Quanto maior a quantidade de pessoas em casa, mais se eleva a despesa de água para beber, o número de refeições, de banhos diários, lavagem de roupas que dobra na semana etc. Por isso os usuários devem se voltar para o gasto consciente, porque o valor da conta mensal deverá sofrer aumento devido a tabela progressiva por metro quadrado estipulada pela Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Agua e de Esgotamento Sanitário (Arsae-MG)”, frisou.

Autarquia muda sistema de leitura

PASSOS – Quanto ao consumo de água desde o início da pandemia, de acordo com o técnico/químico Ronaldo Nunes, baseado no levantamento realizado até esta quinta-feira, há uma semana para o encerramento do mês, incluindo também março, houve aumento de 19% em relação ao mesmo período de 2019. Já nos quatro primeiros meses deste ano o acréscimo no consumo foi 16,71%, ressaltando que os meses de janeiro e fevereiro não ocorreram anormalidades.

Ronaldo revelou que a ETA do ribeirão Bocaina abastece 60% da população passense. O restante recebe a água captada do Sistema Rio Grande, que teve aumento bastante considerável em termos distribuição nos últimos dois meses.

Apesar da queda na receita, investimentos vão continuar

PASSOS – Apesar da inadimplência por parte dos consumidores de água e a consequente queda na arrecadação nestes tempos da epidemia, Pedro Teixeira afirmou que as obras programadas não sofrerão atraso. “Se prejudicar vai ser o mínimo, porque eu minha equipe administrativa trabalhamos dentro do planejado. Não assumimos nenhum compromisso financeiro elevado sem ter os recursos em caixa. Uma das principais medidas internas adotadas para economizar gastos é a compra de aparelhos e equipamentos que trazem menos despesas com energia das máquinas que são operadas nas estações de tratamento de água e esgoto, além do uso de lâmpadas de led e planos de telefonia celular e fixo, por exemplo”, comentou.

O diretor revelou que duas obras estão em andamento. A construção do tanque de contato na Estação de Tratamento de Água (ETA) Antônio Porto no Sistema de Captação do ribeirão Bocaina, que fica próxima ao cruzamento da avenida Juca Stockler com a rodovia MG-050, possibilitando melhorar ainda mais a potabilidade da água distribuída à população passense. A previsão de término dos trabalhos é para junho deste ano e valor do investimento é de quase R$700 mil. Outra é a duplicação da rede de captação de água do Sistema Rio Grande, localizada à margem direita da rodovia Passos-São João Batista do Glória, distante dois quilômetros da cidade, orçada em torno de R$2 milhões, possibilitando aumentar a vazão dos atuais 160 para 240 litros por segundo.

O Saae de Passos já gastou cerca de R$130 mil na ampliação da subestação de energia elétrica na Estação Elevatória de Água localizada nas proximidades do trevo de acesso ranchos e estabelecimentos comerciais do antigo Porto do Glória. A construção de mais três reatores da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) é outra obra planejada para ter início no segundo semestre deste ano. Ao se juntar aos outros cinco motores de propulsão em operação instalados desde a inauguração, o tratamento de dejetos coletados no perímetro urbano passará de 60% para 90%. Dependendo da oscilação do mercado financeiro quando o serviço tiver começado, a autarquia deverá gastar entre R$ 5 e R$ 6 milhões no investimento.

A reportagem tentou colher dados sobre inadimplência, consumo e investimentos também com a direção do Saae de São João Batista do Glória, mas a funcionária contatada por telefone informou que o levantamento levaria alguns dias úteis para ser apurado.