Destaques Esporte

Rui Costa admite “precipitação” em contratações no Atlético-MG

1 de abril de 2020

BELO HORIZONTE – O Atlético-MG fez, recentemente, uma grande reformulação no departamento de futebol. Nas últimas horas, as duas principais figuras que deixaram o clube na mudança se manifestaram. Rafael Dudamel (substituído por Jorge Sampaoli) deu uma entrevista a uma rádio colombiana e falou em “aprendizado bom” e “experiência amarga”. Rui Costa (trocado por Alexandre Mattos) também falou.
O ex-diretor de futebol do Galo avaliou sua passagem pelo Atlético, admitiu erros e fez previsões sobre o futuro alvinegro. “Vim para o Atlético com expectativa grande de retomada de protagonismo profissional. Mas não fiquei nem um ano. Passagem importante, foi fundamental trabalhar num clube da grandeza do Atlético. Sempre se aprende muito. Acredito que consegui deixar um legado, e agora espero novos desafios da minha carreira” comentou.
Cumprindo quarentena em Belo Horizonte, de onde não saiu após a demissão, Rui Costa fez avaliações importantes.
“Na função que exercemos, a gente erra e acerta todos os dias. Pouca gente sabe a quantidade de tomada de decisões que um executivo tem em 365 dias, quando ele consegue ficar 365 dias num clube. Você está a todo momento colocado à prova. No Atlético eu cometi erros, sem dúvida, mas creio que mais acertei. Infelizmente, e digo isso com absoluta sinceridade, o Atlético vem oscilando muito por conta de frustrações de resultados, incompatíveis com a grandeza do Atlético” disse.
“Com certeza houve erros, eu os admito. Mas acredito firmemente que acertei bem mais que errei. E às vezes esses acertos demoram um pouco a serem visualizados. E eles serão visualizados mais adiante. O torcedor do Atlético é correto e justo e irá avaliar” apontou Rui Costa.
Sobre erros, Rui Costa comentou, por exemplo, as contratações – pouco frutíferas até aqui – de Lucas Hernández e Ramón Martínez. O lateral uruguaio e o volante paraguaio jogaram pouco, e as compras foram muito criticadas por grande parte da torcida. Rui admitiu que houve “precipitação”.
“Criticaram muito as contratações que fiz em 2019, principalmente dos estrangeiros. Acho que posso admitir que houve uma precipitação. Cheguei e houve urgência para contratar jogadores, e o mercado estava fechado para jogadores brasileiros. Tínhamos uma lista que 90% dos jogadores detalhados eram brasileiros, mas infinitamente mais caros que aqueles que nós trouxemos. Essa foi a maior crítica que recebi. As contratações de 2019, duas foram investimentos, e depois o Di Santo, que, por mais que tenha sido criticado, ainda é titular com o Sampaoli. Os outros jogadores (Hernández e Martínez) terão que ter oportunidade, até em outros lugares, para ter chance e voltar melhor, assim como o zagueiro Gabriel, que para mim é um dos melhores zagueiros do Brasil. Ele chegou a ser defenestrado no Atlético, foi para o Botafogo e voltou fortalecido” avaliou.
Por fim, Rui Costa citou como legado positivo as mudanças realizadas nas categorias de base do Galo, que atravessam um longo processo de reformulação com Júnior Chávare, que segue prestigiado no comando do departamento de formação.