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Roteiros da Fé: Capela Sagrada Família nasceu do sonho da comunidade

Por Adriana Dias

19 de dezembro de 2020

Foto: Douglas Arouca

PASSOS – A Capela Sagrada Família completa em 23 de dezembro os 24 anos de sua fundação, que aconteceu no ano de 1996, por força da fé do povo, do zelo do seu pároco, Arnaldo Bellucci, que são considerados os responsáveis por erguer a capela, no bairro Coimbras. A música escolhida para este vídeo foi ‘Estudo em Mi menor’, de Dionísio Aguado, ao som do violão do passense Celso Faria.
Benedito Martins, um dos membros da comunidade que contribuiu para a construção da capela, contou à reportagem que a obra religiosa nasceu do sonho da comunidade Sagrada Família, dos bairros Jardim Elaine e Nossa Senhora de Fátima, mas conhecido como Coimbras, contemplando os fiéis de toda a região.

“Em 1948 foi fundada a Paróquia de Nossa Senhora da Penha, que até então só tinha a do Senhor Bom Jesus dos Passos, e, com isso vieram diversos padres, dentre eles Monsenhor José Maria Matias. Seu sonho era de primeiro construir a Catedral, porque Passos seria uma diocese. Onde é atualmente o Santuário Nossa Senhora da Penha seria esta catedral. Isso lá na década de 1960. O sonho dele seria construir próximo a esta capela, a Matriz da nova paróquia que ele queria fazer aqui, já dividindo a paróquia da Penha com a de São Judas Tadeu, santo do qual o monsenhor era devoto. Em 1966 ele chegou a celebrar a missa da colocação da pedra fundamental aqui, mas, ele caiu doente e esse sonho ficou esquecido. A pedra está onde funcionou por alguns anos o campo de futebol do Vila Nova Futebol Clube, hoje é uma área residencial”, explicou Martins que estava na missa de colocação da pedra fundamental, aos 10 anos de idade.

Com a doença de Monsenhor Matias e também com o drama político da época, com a implantação do Ato Institucional número 5, o AI5, com a Ditadura, ainda conforme explicou Martins, tudo ficou esquecido, apenas deram continuação às obras do Santuário da Penha.

“Em 1990 fiz o curso de ministro da Eucaristia e fui designado para exercer a função neste bairro. Vim e reacendi o sonho. No primeiro dia da reunião já colocamos em escolha qual seria a imagem que gostariam que nos acompanhassem na caminhada. Foi uma escolha unânime e definiram por Nossa Senhora Aparecida, como já tinha a paróquia em sua homenagem, sugeri que colocássemos o Menino Jesus e São José, transformando assim em Sagrada Família. Todos aceitaram e a partir de 1991, se tornou esta comunidade”, contou o fiel.

Como padre Arnaldo Bellucci era o pároco responsável, foi pedido a ele que construísse uma capela. “Na época ele ainda brincou e sugeriu fazer igual às capelas da Itália, só os quatro esteios e os telhados, sem parede. Mas não gostamos pois aqui não tinha asfalto. Um bairro bem periférico. Começamos a lutar e ele pediu calma. Começamos a orar e fazer um trabalho para que Deus providenciasse. Em 1992, eis que o bispo Dom José Geraldo Oliveira do Valle, em visita a Passos, esteve nas proximidades do bairro. Passou perto da creche Dolores Queiroz, foi até próximo à igreja de Nossa Senhora de Fátima e pediu ao motorista que voltasse. Em frente aqui onde hoje é a capela, o bispo disse que precisaria fazer uma capela aqui. Do mesmo jeito que eu falei com padre Arnaldo”, lembrou Martins.

Ainda conforme explicou o ministro da Eucaristia, padre Arnaldo Bellucci conseguiu recursos em sua cidade Acuto, uma comuna italiana da região do Lácio, província de Frosinone, com cerca de 1.857 habitantes, na Itália. “O terreno nós não tínhamos, mas padre Arnaldo já tinha o dinheiro que veio desta cidade, inclusive, ele colocou uma placa em homenagem à cidade aqui na capela. Esse terreno aqui era uma área baldia. Oramos e Deus agiu. A proprietária dos três terrenos, residente em São Paulo, colocou-os à venda. Padre Arnaldo de imediato comprou dois. Construímos com dificuldades, pois o pároco tinha intenções de construir com o mesmo recurso a igreja de Santo Antônio, na Comunidade de Valinhos, onde hoje é a Cohab IV, que inclusive já foi homenageada pelo Roteiros da Fé. Foram feitas as duas em forma de barracão, passamos por reformas ao longo dos últimos anos”, salientou.

A comunidade passou um ano fazendo as missas na rua. “Passamos a celebrar em frente à casa de Maria da Conceição Silva, a Dona Fia, já falecida, a matriarca da comunidade, era uma legionária de Maria. E assim progredimos, até que em 2.000 a Paróquia Nossa Senhora de Fátima foi separada e passamos a pertencer a ela. Veio o primeiro padre, o Edno Tadeu, que por questões de saúde se afastou. Veio padre Eduardo Carvalho de Pádua que colocou aqui para transformar a capela e foram criados o coral, que tocou até na televisão, e caminhamos. Mas ainda tinha o problema por ser de terra. Enquanto igreja fica difícil lutar, por isso fundamos a Associação Beneficente dos Moradores do Bairro Coimbras, em 1993. Tinha muitas moscas aqui no bairro, e lutamos pelo asfalto. Com o apoio de José Hernani Silveira fez muito, em parceria, a igreja e a comunidade, para conseguir melhorias, e o asfalto foi um grande ganho para a população, já em 2.000”, contou Martins, que foi um dos presidentes da associação.Pastoral da criança

Uma das raras fábricas de farinha multimisturas de Passos é na Capela Sagrada Família, feita pela Pastoral da Criança. A desnutrição foi praticamente erradicada por conta da entrega do produto. O maquinário foi enviado por Zilda Arns à paróquia Nossa Senhora da Penha, que não se interessou.

“Com este trabalho, feito na cozinha com a farinha de rama de mandioca, praticamente zerou a mortalidade infantil nos vários bairros vizinhos”, informou Dito Martins, como é conhecido na comunidade.

A capela tem capacidade para 198 pessoas sentadas, mas já recebeu em comemorações mais de 500 pessoas. As missas sempre tinha uma celebração diferente. Peças de teatro, cantatas, atividades evangélicas. A comunidade é bastante envolvida e realiza a peregrinação como missão da Sagrada Família, atualmente com padre Vadenísio Justino Goulart.

O projeto Roteiros da Fé foi idealizado e produzido pela jornalista Adriana Dias, conta com as imagens e filmagens de Douglas Arouca, músicas ao violão de Celso Faria, gravação e mixagem de Denilson César dos Reis e criação do logo de Armando Vidigal. Das 24 igrejas, este é o 24º vídeo e pode ser visto em https://clicfolha.com.br/folhaplay/roteiros-da-fe-capela-sagrada-familia.

Durante a realização dos trabalhos de pesquisas para a produção do Roteiros da Fé descobrimos a existência da Capela São Pedro Claver, da Vila São José e que, recentemente, o chacreamento havia sido elevado a bairro urbano. Então, esta será a 25ª igreja e, a 26ª reservamos para a Capela Bom Jesus da Lapa, da zona rural, nas terras da antiga Usina Rio Grande, que será a homenagem às incontáveis capelinhas da zona rural de Passos, finalizando assim em janeiro os templos católicas.