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Roteiros da Fé: Capela Santo Antônio, 24 anos na Cohab IV e em Passos há 165 anos

12 de dezembro de 2020

Foto: Douglas Arouca

PASSOS – A Capela Santo Antônio, na Cohab IV, recebeu o nome da antiga Matriz Provisória da Paróquia, a igreja Santo Antônio, que foi a primeira igreja de Passos, que era de construção bem simples localizada de frente para onde foi construído o segundo templo anos depois com o mesmo nome. A segunda igreja foi erguida na esquina da rua Santo Antônio com a atual praça José Caetano Machado. Ambas foram demolidas, cada uma em uma época. Em agosto de 1996 foi abençoada em seu novo espaço, completando 24 anos de fé e devoção católica por uma comunidade fervorosa neste 2020.

A obra musical escolhida pelo violonista Celso Faria para abrilhantar o vídeo desta semana é o ‘Estudo em Ré menor’, do italiano Ferdinando Maria Meinrado Francesco Pascale Rosario Carulli foi um dos mais famosos compositores clássicos e violonistas da história, além de ser o autor do método completo para violão mais conhecido no mundo, o qual continua a ser usado. Foi extremamente profícuo, escreveu mais de 400 obras em 12 anos.

De acordo com informações fornecidas pela secretaria da Paróquia Nossa Senhora da Penha, por motivos de precariedade como infiltrações e outros problemas estruturais foi necessária a demolição da igreja de Santo Antônio, no Centro de Passos. Porém, em 1996, em um terreno doado à Paróquia foi então construída a nova Capela em louvor a Santo Antônio, fazendo memória ao antigo templo pertencente à Paróquia Nossa Senhora da Penha.

A Capela Santo Antônio passou por uma reforma, que teve início em 2004 e finalização em 2006. Um projeto de ampliação desenvolvido também por Irmã Laíde Sonda, religiosa das Irmãs Pias Discípulas do Divino Mestre. Ela é arquiteta formada pela Universidade Mackenzie de São Paulo. Projetou e construiu várias Igrejas e capelas pelo Brasil, participando também do projeto de conclusão da Basílica de Nossa Senhora Aparecida. Atuou como Assessora Nacional da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) no setor Espaço Litúrgico. Esta ampliação deixou a igreja mais aconchegante e graciosa, mesmo na simplicidade, com o campanário ao alto e um belo ambiente celebrativo, também de acordo com as orientações litúrgicas sobre o espaço sagrado do Concílio Vaticano II.

O arquiteto Cesar Tadeu Elias explicou que a Igreja Santo Antônio foi construída a partir de 1855, substituindo uma capelinha erguida em louvor ao mesmo santo, porém situada bem em frente à nova igreja. Que foi concluída em 1875, se tornando, portanto, a terceira igreja erguida em Passos, embora a primeira, conste historicamente, como sendo a capelinha de Santo Antônio, sem data exata, mas remetendo a meados do século 18. A segunda erguida em Passos foi a de Nossa Senhora do Rosário, onde atualmente é a sede da prefeitura Municipal de Passos e a terceira, a Matriz Senhor Bom Jesus dos Passos. A igreja Santo Antônio foi demolida em 1975, portanto, 100 anos depois de toda concluída.

Conforme o arquiteto, da capela que foi demolida, ainda se mantêm em Passos o sino original e um entalhe de um rosto de anjo, que estão, um no Santuário Nossa Senhora da Penha e o outro na Capelinha Centenária. “Já as demais peças foram todas comercializadas com colecionadores de outras regiões do país”, assegurou Elias.

Conforme o livro Registros I, do passense Hélio Soares Negrão, a Paróquia Santo Antônio foi demolida em 1975 “para venda dos Anjos Barrocos nosso patrimônio histórico pelo Monsenhor José Maria Mathias da Silva para aplicar o dinheiro na construção da Basílica da Penha. Algumas vozes na imprensa protestaram.”

Comunidade

A coordenadora de catequese e zeladora da Capela Santo Antônio, Magda dos Reis Natal Andrade contou que se mudou quando a Cohab IV era bem nova e não tinha ainda a igreja. “Na época era o padre Arnaldo Belluci o responsável pela Paróquia da Penha, e nós moradores nos reuníamos para rezar na Comunidade do Valinhos, atual comunidade da rua Imaculada Conceição. Normalmente quem eram os novos moradores do bairro já frequentavam outras igrejas, como a São Benedito ou no Santuário, também na paróquia Nossa Senhora de Fátima, mas era distante. Então, víamos a necessidade de um espaço mais próximo de nós”, contou Magda.

Esta necessidade foi atendida por padre Arnaldo Belucci que construiu com a ajuda da comunidade. “Nesta época já tinha se separado as paróquias Nossa Senhora da Penha e a de Nossa Senhora de Fátima. Agora a comunidade cresceu bastante e os moradores da Vila Betinho e Penha II, alguns do Parque Tropical, Aroeiras. Muitas crianças fazem a catequese conosco. Para todos nós do bairro é um privilégio termos um espaço religioso para professarmos a nossa fé católica, a igreja aqui é muito atuante”, afirmou a catequista.

A igreja tem capacidade para 230 pessoas sentadas e, em tempos normais, as missas são realizadas às quartas-feiras, às 19h30 e aos domingos, às 8h30 e, contando também com confissões nas quartas no período noturno. “E, agora fomos agraciados com as quintas-feiras com a Adoração do Santíssimo das 18h às 20h”, confirmou Magda.

Para o também morador da Cohab IV, Edson dos Reis Silveira, que está no bairro desde dezembro de 1992, ele viu todo o processo de construção da capela.
“Nesta época começamos a rezar nas ruas, não imaginávamos construir a igreja. O padre Arnaldo Belucci me designou como Ministro da Eucaristia e fomos formando pequenas comunidades. Fizemos 10 setores com coordenadores e as orações eram realizadas nas segundas-feiras e o padre vinha uma vez por mês. As ruas eram de terra, mas, mesmo assim fazia a missa na rua mesmo. As pessoas eram fervorosas. Em 2000 fazíamos orações debaixo da árvore com um grupo que se chamava evangelização 2000, onde atualmente são os predinhos e, logo em seguida vieram as Santas Missões.

Fui coordenador das missões na comunidade, eu já havia passado pelo seminário e esta experiência foi aproveitada aqui. Formamos os grupos e quando as missões chegaram em 1996. Em agosto deste ano a igreja foi abençoada. O bispo Dom José Geraldo Oliveira do Valle, esteve em Passos e sentiu que aqui precisava desta igreja. Ele ganhou o terreno de Roberto Antonio Assad, da Sorveteria Maipu, mas o lugar era íngreme. Então fizeram uma permuta com o atual local onde é a igreja hoje. O bispo tinha uma visão de que a cidade cresceria para este lado, ficando entre as Cohabs IV e V e todos os outros bairros, aqui pode chegar a ser paróquia um dia”, salientou Silveira.

O projeto Roteiros da Fé foi idealizado e produzido pela jornalista Adriana Dias, conta com as imagens e filmagens de Douglas Arouca, músicas ao violão de Celso Faria, gravação e mixagem de Denilson César dos Reis e criação do logo de Armando Vidigal. Das 24 igrejas, este é o 23º vídeo e pode ser visto em:

https://clicfolha.com.br/folhaplay/roteiros-da-fe-capela-santo-antonio/