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Roteiros da Fé: Capela Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, pela vontade da comunidade 

Por Adriana Dias / Da Redação

14 de novembro de 2020

A Capela Nossa Senhora do Perpétuo Socorro foi inaugurada no dia 22 de maio de 1996, no bairro Bela Vista, em Passos. / Foto: Divulgação

PASSOS – Nascida da vontade da comunidade do bairro Bela Vista, e, com a visita da missionária, Irmã Maria das Dores, que em 1995 fez a preparação para a chegada das Santas Missões – projeto rumo ao Novo Milênio -, que aconteceria em 1996, surgiu a oportunidade da criação da Capela Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que foi inaugurada no dia 22 de maio de 1996, às 20h com a primeira missa. O pároco da época era Elizeu Guimarães Souza, quem assumiu as negociações de compra junto ao bispo e que conduziu a comunidade religiosa. E, para o vídeo que segue no WWW.clicfolha.com.br o violonista Celso Faria usou a música Estudo em Lá maior, de Dionísio Aguado.

Com isso, em 16 de maio de 1996 aconteceu a primeira reunião para a fundação da Capela. O encontro foi realizado na casa de Genézio Francisco de Paula e Salvina Maria da Silva Paula com a presença de diversas pessoas da comunidade, com a intenção de decidir sobre a compra de imóvel para a construção do templo e a coordenação da igreja, que seria na rua Goiás 1.701, em um barracão que pertencia a Nelson Jorge Maia.

Desta reunião foi criada uma comissão formada, além do casal que recepcionou o grupo, por Maria Aparecida Pinheiro, Aristeu Inácio Pinheiro, Antônio Rodrigues da Silva, Juliana dos Reis Silva, Joaquim Quirino dos Reis e Ana Maria Couto Reis; Carlos Alberto Lopes, o Carlito e Nilda Terezinha Ribeiro Lopes; Pedro Pinheiro Ribeiro e Maria Andrade Eugênia; Antônia de Lourdes Rodrigues Andrade, Paulo e Vera Lúcia Moreira Andrade, Alex Ribeiro Lopes, Otávia Cristina Pereira, Maria Gorete Maia, Terezinha A. G. Barbosa, Isabel Aparecida Sávio, Iolanda Cruz Teixeira, Ana Rita Cardoso Maia Silveira e a pequena Simone Medeiros, que se tornou a cantora oficial da igreja e anos mais tarde foi fundadora da Conferência Vicentina da comunidade.

Genézio, hoje com 72 anos, viúvo de Salvina, e pai de Simone, mora bem em frente à Capela e contou à reportagem que é gratificante saber que pôde participar de todos os passos para a criação da igreja para a comunidade.

Ajudei na escolha deste espaço dando a sugestão de compra. Me recordo que levamos a vontade da comunidade para o padre Elizeu, e, ele por sua vez falou com o bispo Dom José Lanza Neto. Sabia que Nelson Maia queria vender o terreno aqui por R$20 mil. O bispo então passou por aqui em uma de suas viagens e conheceu o espaço autorizando a compra. A missionária que veio perguntou se tínhamos alguma sugestão de nome e como não tínhamos, a irmã Maria das Dores levantou a hipótese do nome de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que era da congregação à qual ela pertencia. Todos aceitaram”, explicou.

Após a compra do terreno foram realizados vários eventos pelos integrantes para a manutenção das atividades da igreja. “A capela tem também a casa paroquial e somos parte da paróquia de São Benedito. Me sinto muito orgulhoso de fazer parte desta história e de ter sido casado com a Salvina, uma mulher que fez muito por esta comunidade. Ela era vicentina e foi uma das raras mulheres a receber uma condecoração da Confederação Nacional da Sociedade São Vicente de Paulo”, disse Genézio.

A capela tem capacidade para 200 fiéis sentados em duas fileiras de bancos, é bem arejada e tem uma característica de ser bastante acolhedora. A grande cruz de metal foi comprada em Ribeirão Preto. Além do piso da igreja há um piso inferior onde funciona o centro catequético, uma cozinha bem equipada, um cômodo que serve por vezes de bazar ou para realização de reuniões, um parquinho infantil e também uma casa que foi comprada depois para atender as pastorais.

O casal Carlito e Nilda coordena a pastoral da Criança, sendo que a Capela também conta com o grupo de Vicentinos, o grupo missionário junto à comunidade, o movimento da Renovação Carismática e o grupo de Catequese.

A Perpétuo Socorro tem a característica de fazer uma das melhores e mais organizadas festas juninas de Passos. Com as festas que acontecem há quase 25 anos, porque já gostávamos de fazer festa na rua antes mesmo da igreja existir, nós conseguimos comprar equipamentos, panelas e também poder ajudar as pessoas mais necessitadas da comunidade”, disse Carlito.

O projeto Roteiros da Fé foi idealizado e produzido pela jornalista Adriana Dias, conta com as imagens e filmagens de Douglas Arouca, músicas ao violão de Celso Faria, gravação e mixagem de Denilson César dos Reis e criação do logo de Armando Vidigal. Das 24 igrejas, este é o 19º vídeo e pode ser visto em https://clicfolha.com.br/folhaplay/roteiros-da-fe-capela-n-s-do-perpetuo-socorro/.


A santa

Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é um título conferido a Maria, mãe de Jesus, representada em um ícone de estilo bizantino. Na Igreja Ortodoxa é conhecida como Mãe de Deus da Paixão, ou ainda, a Virgem da Paixão. O dia litúrgico é 27 de junho. E, por isso, dentro da capela tem no altar um quadro com o ícone, ao invés de imagem como da maioria das outras igrejas.

Dizem que um homem que ganhava a vida como comerciante roubou a imagem de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro no século XV. Sua intenção era vendê-la em Roma. Durante a travessia do mar Mediterrâneo, uma violenta tempestade quase fez o navio naufragar. Após chegar em Roma, ele adoeceu. Arrependido, contou a um amigo sua história e pediu para que ele devolvesse o ícone a uma Igreja para ser venerado pelos fiéis.

A esposa desse amigo não quis devolvê-la, mas, após ficar viúva, Nossa Senhora apareceu à sua filha de seis anos e lhe disse para colocar o quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro em uma Igreja, ou na Igreja de São João Latrão ou na de Santa Maria Maior. No dia 27 de março de 1499 o ícone foi entronizado na Igreja de São Mateus, ficando lá por mais de 300 anos.