Destaques Opinião

Reviravolta na política passense

POR GILBERTO BATISTA DE ALMEIDA

27 de agosto de 2020

Política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou.” – Magalhães Pinto.”
Os desatinos da política brasileira das últimas décadas ocasionaram no ideário popular convicções que se por um lado, reconheçamos, é de certa forma justificável, por outro pode conduzir as escolhas de nossos parlamentos e gestores públicos a equívocos graves. O primeiro deles é o afastamento de pessoas que poderiam contribuir para elevar o nível da política porque sabem de antemão que seus projetos terão menos apelo popular e agradarão menos não conseguindo competir com aqueles que inconsequentemente discursam com demagogia, redundando no famoso “me engana que eu gosto”.

A generalização que a população faz de que todo político é ladrão e a troca insana de ataques apontando atos ilícitos um candidato no outro, muitas vezes são falácias que nunca foram confirmadas e afasta realmente muita gente boa que não deseja participar desta imundície. E a falsa crença de que é possível governar sem alianças, porque se realizadas serão espúrias, mostra outro fator de desordem política que arquiva projetos, derrota bons nomes e eterniza a inação dos governos. As alianças, necessárias e até salutares se baseadas em acordos claros e sem manchas de loteamento de cargos ou favores. E é claro que isso é possível, porque se não for, o processo democrático em vigor se transformará em eterna falta de governabilidade dos eleitos.

Em Passos, nos últimos dias, o cenário político se alterou consideravelmente, diria até que uma verdadeira reviravolta. A possível desistência do professor Darlan (PSD), presidente do SinRural, assim como do professor Fábio (MDB), antes favorito nas pesquisas, torna a disputa completamente diferente. A realidade é que os pré-candidatos definidos hoje se resumem no Diego (PSL), André Patti (PDT), Rodrigo Maia (Podemos), Dr. Aquiles (Avante) e Alexandre Maia (DEM). Não existem definições quanto ao atual mandatário, Renatinho Ourives (Cidadania), ou sobre a nova diretriz do MDB, após a desistência de seu candidato, e do PSD, cuja liderança maior é o Deputado Cássio Soares, assim como do PP e do PR, estes dois últimos habilmente aguardando os acontecimentos para divulgarem suas decisões. Não é conhecido também o caminho da esquerda passense, liderada pelo PT.

Os próximos 20 dias definirão o quadro real da campanha, candidaturas escolhidas e assim o eleitor estará em condições de avaliar para decidir. Se existia favoritismo de um ex-candidato, agora o desenho das nuvens mudou e, agora sim, as alianças políticas serão fundamentais e precisarão ser explicadas para a população em que bases foram celebradas. Assim como é falho interpretar alianças como indesejáveis, é necessário que em caso de sua concretização, que fique bem claro que devem ser baseadas em um programa comum de governo sem imposições de qualquer nomeação de cargos. As coligações feitas na eleição passada servirão de exemplo para que doravante aconteçam de maneira a dar liberdade de ação do futuro prefeito em torno do programa apresentado.

A campanha política em tempos de pandemia adquire contornos completamente inusitados e em desfavor de nomes ainda poucos conhecidos ou testados nas urnas. Sairá com vantagem o candidato que conseguir alinhavar um grupo mais sólido de apoio. Mais do que nunca, a apresentação de um programa de governo consistente e convincente e a força das lideranças políticas será fator decisivo e apontará quem governará Passos nos próximos 4 anos. E por fim, o tópico mais importante, o candidato que conseguir melhor se apresentar nas redes sociais, até então impregnada de discursos cansativos, óbvios e até repugnantes, conseguirá substituir o velho e tradicional corpo a corpo, chamando a atenção de todos.

Mesmo sabendo que é prematuro cravar opinião, arrisco dizer que, neste momento, o candidato do Democratas Alexandre Maia despontará como o favorito nas próximas medições de intenção de votos, seja por pertencer um partido com história e tradição na cidade ou seja ser um político com nome conhecido do eleitorado e com maior percentual de votos já obtidos em Passos, 77%, nas eleições que o conduziram à Câmara Federal.

GILBERTO BATISTA DE ALMEIDA, é engenheiro eletricista e ex-político, escreve quinzenalmente, às quintas, nesta coluna