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Revendedores e clientes reclamam de alta no preço do gás de cozinha

Por Gabriella Alux / Especial

22 de agosto de 2020

A Petrobras anunciou um aumento de 5% no valor do botijão de 13 quilos, que está cotado em R$ 30,74, sem impostos e margem de distribuição. / Foto: Divulgação

PASSOS – Com o reajuste de 5% feito pela Petrobras, o gás de cozinha passou a custar cerca de R$ 80 em Passos. Para as distribuidoras, o preço médio do botijão de 13 quilos está em R$ 26,55. No entanto, as revendedoras locais chegam a pagar R$ 70 aos fornecedores, o que vem gerando reclamações de proprietários e clientes.

O Jornal Folha da Manhã fez uma pesquisa com 16 empresas de gás da cidade e constatou que o preço do botijão varia de R$ 70 a R$ 85, o que dá uma média de R$ 77,50. Alguns estabelecimentos informaram que o preço vai aumentar na próxima segunda-feira, 24, e outros comunicaram que, apesar de o valor já ter subido nas distribuidoras, estão segurando o reajuste.

Segundo Roberto Sérgio Nunes, proprietário de uma empresa de gás, a elevação do preço aconteceu na segunda-feira, 17, quando recebeu a nova remessa.

Esse aumento prejudica muito, principalmente porque não é a primeira vez que acontece, esta já é a quinta. Então, nós aqui, como empresa, temos que pensar e estudar maneiras de repassar o produto da melhor maneira para os clientes”, comentou.

A empresária Voneibe Aparecida Costa, que também atua no ramo, reclama que, devido ao reajuste, não está conseguindo repassar o gás com a margem de lucro necessária.

Já estava difícil por conta de ser uma empresa local e pequena, no meio de uma pandemia. Com os reajustes, estou tendo dificuldades no controle de lucros, ao menos o básico”, disse.

Para a estudante Stéfany Alves Dias, apesar de a alteração ser de ‘apenas’ 5%, interfere no orçamento.

Esse reajuste é bem desvantajoso e ruim, porque sobe o preço do gás, mas não muda o salário, por exemplo. Então isso, para mim, gera prejuízos para as próximas contas, visto que eu comprava por R$ 68, e a economia que eu fazia com os 5% a menos do gás, agora terei de economizar em outra coisa, como deixar de comprar 5% em comida para compensar o dinheiro contado das despesas do mês”, explicou.

De acordo com o assessor de investimentos Fabrício Bruno Perin, há dois fatores que colaboram com essa situação, tanto o preço da Petrobrás, que é equivalente ao mercado internacional, quanto os custos atribuídos pelas distribuidoras até chegar ao consumidor final:

A Petrobrás por muitos anos teve interferência nos preços de refinarias, nos governos anteriores, com o objetivo de controlar a inflação. Porém, hoje, essa empresa é mais independente e tem autonomia para precificar com base equivalente no mercado internacional”.

Além disso, Perin destaca que a Petrobrás acaba sendo apenas uma fornecedora e quem precifica o produto final são as distribuidoras.

O consumidor paga a precificação que elas colocam com base nos custos de operação, riscos embutidos nos negócios e lucro, claro”, finalizou.