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Restaurantes reajustam preços

Por Nathália Araújo / Redação

17 de setembro de 2020

Em dez estabelecimentos que fornecem comida a quilo, pratos feitos ou marmitex, o reajuste no preço ficou entre 10 e 20%. / Foto: Divulgação

PASSOS – A alta nos preços de alguns produtos que, tradicionalmente, estão presentes na mesa dos brasileiros tem deixado os consumidores assustados. Em Passos, o aumento se tornou motivo de grande preocupação para os empresários que atuam no ramo dos alimentos. De acordo com um levantamento realizado pela reportagem, na terça-feira, 15, em dez estabelecimentos que fornecem comida a quilo, pratos feitos ou marmitex, o reajuste no preço final ficou entre 10% e 20%.

Durante o dia, Fábio Dadalt está à frente de um restaurante, e à noite o serviço continua, já que também possui uma pizzaria. Com o aumento significativo dos valores cobrados pelos alimentos, o empresário precisou buscar outras alternativas para garantir sua renda mensal. O preço dos produtos vendidos no local subiu em 10%, e algumas marcas foram deixadas de lado como estratégia para enfrentar a crise, que afeta todo o país.

Acredito que não seja possível repassar o aumento na mesma proporção do mercado, até porque os preços subiram muito. Os ajustes também podem afetar a procura, uma vez que os clientes passam a buscar opções mais baratas e só voltam quando percebem que a alta está em todos os locais. No meu caso, o óleo se tornou um grande vilão, e meu gasto mensal com esta mercadoria é tão alto quanto a conta de energia elétrica. Além disso, nas pizzas usamos muito queijo do tipo muçarela e, considerando que o leite está muito caro, a despesa dobrou”, contou Dadalt.

No restaurante de Paulo Roberto Freire, o aumento nos itens do cardápio ficou em 20% e, para fugir dos preços elevados, novas combinações têm sido usadas como acompanhamento dos pratos.

São inúmeras as opções que temos, mas algumas coisas não podemos substituir, como é o caso do arroz. Em relação à procura, no início da pandemia do novo coronavírus, a diminuição foi enorme, mas aos poucos o movimento está voltando, o que é um reflexo do impulso que o Auxílio Emergencial deu para a economia. Não sei se as mercadorias ainda ficarão no preço normal, mas espero que não tenham mais complicações, porque já está bem difícil”, destacou o empresário.

Ao perceber uma nova oportunidade em meio à pandemia, Valquíria Peixoto decidiu iniciar um serviço de produção de marmitas para delivery, em sua própria casa.

Quando veio a orientação do isolamento social, vi que muitas pessoas estavam comprando comida e resolvi investir nisso, o que tem dado muito certo. Com os preços absurdos que encontramos no mercado, o lucro já diminuiu um pouco, lembrando que também existem gastos com produtos de higiene, embalagens e gás de cozinha. Ainda não ajustei o valor dos pedidos, mas se as coisas continuarem assim, não vou ter outra opção e sei que isso pode afetar o índice das vendas. Realmente, é um momento muito difícil”, disse.

De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o grande fluxo de exportações influencia diretamente na quantidade de mercadorias disponíveis para o consumo interno, o que resulta no encarecimento dos produtos. Como consequência disso, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) aponta que o aumento dos alimentos ultrapassou a média da inflação, sendo que, nos últimos 12 meses, comer em casa ficou 11,39% mais caro.